Os 10 anos da morte de Osama Bin Laden e seus desdobramentos para Guerra ao Terror – 02 de maio de 2011

Fonte: Flickr
Forças dos EUA matam Osama Bin Laden

Há 10 anos, no dia 02 de maio de 2011, o saudita Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda – a maior organização terrorista reconhecida em âmbito mundial –, foi capturado e morto em operação militar dos Estados Unidos. A operação orquestrada no território pertencente ao Paquistão serviu como grande símbolo da vitória dos Estados Unidos na Guerra ao Terror, deflagrada após os ataques ao Pentágono e às torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.

Introdução 

Pode-se apontar como primeiro grande acontecimento histórico deste novo milênio os atentados terroristas realizados pela Al-Qaeda, organização liderada por Osama Bin Laden, contra os Estados Unidos da América (EUA), em 11 de setembro de 2001. A destruição das duas torres gêmeas do World Trade Center, ainda hoje, é uma das imagens mais impactantes transmitidas pelos canais de comunicação. A partir disso, o então presidente estadunidense, George W. Bush, declarou uma cruzada contra as organizações terroristas, sobretudo contra a Al-Qaeda. Esta seria personificada na figura do seu líder Osama Bin Laden que, após quase 10 anos de busca, fora capturado e morto, em uma operação dos EUA, em 02 de maio de 2011. 

Para entendermos a importância da figura de Bin Laden e da sua morte, este artigo se divide nas seguintes partes: primeiro, traz-se uma breve contextualização da formação da Al-Qaeda e das ações realizadas por esta a partir da liderança de Bin Laden; depois, aponta-se as consequências que os ataques terroristas, orquestrados pelo grupo, geraram na condução da política interna e externa dos EUA; adiante, analisa-se o processo de busca por Bin Laden, bem como os desdobramentos geopolíticos gerados por sua captura e assassinato pelas tropas dos Estados Unidos.    

A importância da figura de Bin Laden e da Al-Qaeda

Nascido em 10 de março de 1957, na cidade de Riad – capital da Arábia Saudita – Usāmah Bin Muhammad bin ‘Awæd bin Lādin (transliteração do árabe), mais conhecido como Osama Bin Laden, era filho de imigrantes iemenitas que se tornaram uma das famílias mais influentes do país. Fazendo uso da fama herdada por sua família, viria a se tornar uma das figuras mais conhecidas, tanto em âmbito regional, quanto mundial, por meio de sua atuação à frente da Al-Qaeda.

A Al-Qaeda – surgida do grupo Maktab al-Khidamat (MAK), que reunia combatentes, financiamentos e armas para as batalhas da guerra soviético-afegã (1979-1989) – tornou-se a maior organização terrorista operando mundialmente até os dias atuais. O termo Al-Qaeda, em tradução do idioma árabe, significa “A Base”, e reflete os principais objetivos da organização: combater a disseminação de modos “ocidentalizados”, tendo como prioridade a manutenção da base islâmica no sistema político, econômico, social e educacional em Estados como Afeganistão, Paquistão, Iraque e a própria Arábia Saudita. Assim como os demais grupos jihadistas, como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS), a Al-Qaeda também traz a Sharia como principal fundamento de sua atuação.

A Sharia trata-se da lei islâmica, embasada no Alcorão e no Hadith, documentos nos quais se acredita que estão registrados as palavras e atos do profeta Maomé. Sua aplicação hoje é bastante polêmica e controversa (principalmente por conta das “hudud”, punições mais duras, reservadas para pecados como o adultério, o estupro, a homossexualidade, o roubo e o assassinato). A polêmica de tais práticas é um objeto de disputa até mesmo entre os muçulmanos seguidores de diferentes correntes de pensamento, como os xiitas – aqueles que defendem que a liderança do califado, após a morte de Maomé deveria seguir sua linhagem familiar; compondo cerca de 10% da comunidade muçulmana –, e os sunitas – aqueles que defendem que tal liderança deveria ser escolhida pelo povo; compondo 90% da comunidade muçulmana. A Al-Qaeda também possui forte ligação com o wahhabismo, que se configura como uma corrente de pensamento extremista, vinculada aos sunitas, que abrange a parcela mais ortodoxa da comunidade muçulmana, que se define como ultraconservadora, austera e fundamentalista, tendo como foco principal a restauração do islamismo “puro”.

A organização – que foi classificada como uma organização terrorista por países como os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Índia, e organizações como União Europeia e OTAN – teve seu início nas regiões do Afeganistão e Paquistão. Todavia, sua influência se espalhou por todo o Oriente Médio, assim como por regiões do Norte e Nordeste da África, principalmente, nos países de raízes egípcias como o Sudão. Com esta expansão geográfica, houve também a expansão dos objetivos do grupo. Inicialmente, seu foco era na expulsão das tropas soviéticas do território do Afeganistão, contando inclusive, com o auxílio financeiro dos EUA para a compra de armas e treinamento das tropas, assim como ocorre ainda hoje com as tropas ligadas ao Talibã. 

Contudo, com a escalada da Guerra do Golfo, e a crescente presença dos EUA na Península Arábica, por meio da instalação de bases militares, Bin Laden passou a declarar os EUA como um grande inimigo do Islã, e consequentemente, da Al-Qaeda. Ao mesmo tempo, com a incorporação de novos braços de atuação, no Sudão, na Argélia, no Egito e na Líbia, e da fusão com outros grupos terroristas – como o Al-Jihad e o Talibã –, a Al-Qaeda fortaleceu sua atuação para além de suas fronteiras regionais. Assim, seus objetivos se expandiram novamente, passando a perseguir e combater os muçulmanos xiitas, os judeus, além dos ocidentais que já eram seu foco inicial.

A partir disso, foram atribuídos à Al-Qaeda diversos ataques contra alvos civis e militares, tanto em sua região de atuação original, quanto nas adjacências de seus novos braços de atuação. Além de deter grande força no âmbito regional, a organização também teve grande projeção na arena internacional. Países como Líbia, Quênia, Tanzânia, Iêmen e França também tiveram registros de ataques orquestrados pela organização. 

Entretanto, o evento de maior destaque organizado pelo grupo terrorista teve como alvo os Estados Unidos, com a execução do ataque ao Pentágono e às torres gêmeas do World Trade Center, na cidade de Nova York, ocorrido a 11 de setembro de 2001. Os ataques foram o estopim para que os EUA declarassem o início da Guerra ao Terror, evento que mudaria por completo o cenário geopolítico internacional pelas próximas décadas.

Os 10 anos da morte de Osama Bin Laden e seus desdobramentos para Guerra ao Terror - 02 de maio de 2011 2
Nuvens de fumaça saem das torres do World Trade Center em Lower Manhattan, na cidade de Nova York, após um Boeing 767 atingir cada uma das torres durante os ataques de 11 de setembro | Fonte: Michael Foran via Flickr

Assim, identifica-se que a influência de Bin Laden à frente da Al-Qaeda foi de extrema importância para os desdobramentos geopolíticos das décadas posteriores, que levaram tanto às consequências da Guerra ao Terror, quanto à ascensão e fortalecimento de novas células terroristas oriundas de braços locais da Al-Qaeda, como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria, o Boko Haram, atuante na Nigéria, o Hezbollah, atuante no Líbano e o Hamas, atuante na região da Palestina e de Israel. Grupos estes todos conectados pelo objetivo comum de combater a ocidentalização imposta pela hegemonia dos EUA no Sistema Internacional. 

Os Impactos dos ataques de 11 de setembro na política de segurança interna e externa dos Estados Unidos

Os ataques terroristas contra o World Trade Center e contra o Pentágono em 11 de setembro de 2001, perpetrados pela Al-Qaeda de Osama Bin Laden, tornaram o terrorismo jihadista a principal ameaça apontada pelos Estados Unidos à sua segurança, seja pelo governo em Washington ou pela própria população estadunidense. Este quadro fez com que os EUA tomassem uma série de medidas, nos âmbitos interno e externo, para combater o terrorismo, as quais tiveram grande apoio público.

No plano interno destaca-se, sobretudo, o Patriot Act, um decreto assinado pelo então presidente dos EUA, George W. Bush, logo após os atos terroristas. Neste, fica estabelecida a total liberdade de investigação do governo estadunidense, sem necessidade de aval da justiça, de meios de comunicação – telefonemas, e-mails, mensagens de texto, entre outros – de cidadãos dos EUA, e/ou de estrangeiros. Houve um grande debate público e acadêmico acerca do fato de que o governo daquele país poderia usar o Patriot Act para fins de espionagem, em casos não relacionados ao combate ao terrorismo. Este decreto manteve-se em voga até 2015, ou seja, perdura quase todos os anos do governo de Barack Obama, que termina em janeiro de 2017.

Porém, deve-se mencionar que, no geral, houve um variado leque de ações que foram realizadas pelos Estados Unidos para evitar que novos ataques terroristas ocorressem em seu território. Podemos apontar maior controle dos estrangeiros que viajavam para os Estados Unidos, como também maior rigor dos aparatos de segurança em locais com grande movimentação de pessoas. Na esfera externa, a administração Bush destacava que, pelo fato de as organizações terroristas terem membros por diversas partes do globo – ao invés de um Estado, o qual poderia ser atacado diretamente –, despertava-se a necessidade de que os EUA capilarizassem sua atuação mundial para poder enfrentá-las. 

Assim, foi declarada a “Guerra ao terror”. O então presidente estadunidense entoou que “quem não está conosco, está com os terroristas”, ou seja, se algum Estado do globo não aceitasse a intervenção estadunidense, justificada pelo combate ao terrorismo, poderia sofrer diversos tipos de consequências, como por exemplo, embargos econômicos e até mesmo ações militares. Em 2003, os Estados Unidos lançaram o documento National Strategy for Combating Terrorism, em que foram indicadas as estratégias que seriam empregadas para combater o terrorismo, que consistiam basicamente em: 1) Identificar organizações terroristas e seus membros; 2) Localizar células terroristas e destruí-las; 3) Acabar com a rede de suporte deste tipo de organização, oriundos de fontes estatais e/ou privadas; e 4) Manter o esforço internacional contra o terrorismo. 

Neste documento é destacado também o papel central das lideranças dentro dos grupos terroristas. É salientado que os líderes são os responsáveis por planejar ataques, estratégias de funcionamento e aquisição de novos membros. Além de busca por vingança, tal justificativa acerca do papel das lideranças nas organizações terroristas, Washington reforçava a necessidade de ter como um dos alvos principais figuras como Bin Laden. Isto explica toda a operação que culminou no assassinato do então líder da Al-Qaeda, em maio de 2011. 

Os 10 anos de busca dos Estados Unidos por Osama Bin Laden

Posteriormente à confirmação de que os atentados de 11 de setembro foram realizados pela Al-Qaeda, sob a liderança de Osama Bin Laden, este se tornou o High Value Target – “alvo de maior valor” – para os EUA. Contudo, levou praticamente um período de 10 anos para que os órgãos de inteligência que participaram da busca, como a Agência Central de Inteligência (CIA), encontrassem o seu alvo principal.

Até agora não há um relatório oficial do governo estadunidense que exponha de maneira detalhada todos os passos que culminaram na morte de Bin Laden. O que sabemos são informações vazadas para veículos de comunicação em massa. A partir disso, podemos entender, pelo menos de maneira superficial, alguns pontos-chave que levaram os EUA a encontrar o então líder da Al-Qaeda em 2011.

 Apesar de todo o aparato da CIA e da recompensa de 25 milhões de dólares, oferecidos pelos EUA, em troca de qualquer informação que levasse à captura de Bin Laden, provou-se muito difícil encontrá-lo. A pista que se tornou central para Washington foi dada por Mohammed Al-Qahtani, preso pelo serviço de imigração dos EUA por conta de suas ligações com a Al-Qaeda, em 2001.

Este apontou uma figura muito próxima, uma espécie de secretário de Bin Laden: Abu Ahmed Al-Kuwaiti. Adiante, a CIA descobre o nome verdadeiro de Al-Kuwaiti, Ibrahm Saeed Ahmed, e somente em 2010 consegue interceptar uma ligação de telefone deste, a partir da espionagem de um amigo pessoal de Ahmed. Devido a esta ligação, foi possível localizar e monitorar Ahmed o qual estava vivendo em uma mansão, com seu irmão e suas respectivas famílias, na cidade de Abbottabad, no noroeste do Paquistão.

As suspeitas começaram a crescer de que Bin Laden poderia estar nesta mansão devido a sua estrutura, altamente protegida com diversos tipos de mecanismos de segurança, como cercas, estruturas de concreto, entre outras. Contudo, não havia como confirmar a presença do líder da Al-Qaeda neste edifício, haja vista que a casa não tinha nenhum tipo de linha de internet e/ou telefone, e as imagens de satélite feitas sobre a mansão não conseguiam identificar, de maneira clara, quem mais poderia estar vivendo ali. Mesmo assim, uma operação para invadir este local foi orquestrada, recebendo o nome de Operação Lança de Netuno.

Após os 10 anos de exaustiva e incessante busca pela localização de Osama Bin Laden, e dos mais de 1,3 trilhões de dólares gastos em operações militares ligadas à Guerra ao Terror, finalmente, em 02 de maio de 2011 – em uma operação direcionada na cidade de Abbottabad, no Paquistão – Bin Laden foi localizado, capturado e morto pelas tropas dos Estados Unidos. A operação, de grande impacto em nível internacional, consistiu em enviar 25 combatentes, das forças operacionais especiais da marinha dos EUA, de helicóptero até a estrutura e invadi-la. A operação teve como resultado a morte de Osama Bin Laden, alvejado no peito e na cabeça, pelo então combatente estadunidense Robert J. O’Neill. Assim, a caçada estadunidense pelo líder da organização terrorista que foi responsável pelos ataques de 11 de setembro teve, finalmente, o seu fim. 

Após a confirmação de sua morte, o corpo de Osama Bin Laden foi levado até o Afeganistão, onde foram realizados testes de DNA, para certificação de que realmente se tratava do indivíduo procurado. Após os testes, que demonstraram quase 100% de compatibilidade com o DNA de outros membros de sua família, os EUA anunciaram sua morte em comunicado à mídia internacional, no qual também informaram que seu corpo seria lançado ao mar, para assim, evitar que seu túmulo em terra virasse um local de santuário e peregrinação para aqueles que seguiam os preceitos da organização.

Os desdobramentos geopolíticos após a morte de Bin Laden

Apesar de muitas controvérsias acerca da operação que levou Osama Bin Laden à óbito – muitas que até mesmo questionam se este, realmente, foi morto –, a comoção causada em âmbito internacional pelo protagonismo dos EUA na operação de busca, captura e morte de Osama, acarretou mudanças bastante expressivas no jogo geopolítico mundial. Um dos pontos que mais levanta polêmicas no meio internacional é a questão do emprego de força letal em operações de caráter político que, de acordo com a Ordem Executiva 11905, promulgada ainda pelo presidente Henry Ford, seria considerada inconstitucional, dado que segundo seu texto oficial “nenhum funcionário do Governo dos Estados Unidos deveria se envolver, conspirar ou promover assassinatos políticos”.

Segundo Washington, a execução foi orquestrada em razão do procurado ter apresentado resistência durante a operação. Tal declaração foi tomada como controversa, dado que já havia sido mencionado anteriormente que este estava desarmado no momento de sua captura. A comunidade do direito internacional, como o advogado estadunidense Jeffrey Toobin, questiona a legalidade da operação, e a ausência de transparência do processo legal ao qual Osama deveria ter sido submetido, caso tivesse sido, de fato, capturado e não assassinado. Toobin (2011, apud. BALIARDO 2011, § 5), afirma em uma entrevista:

Osama bin Laden foi morto, não capturado. Se tivesse sido levado em custódia, seguiria então o mais complexo e doloroso processo legal na história americana. As dificuldades seriam intermináveis: corte civil criminal ou um tribunal militar? Em solo americano, ou no exterior – em Guantánamo? Teria ainda Bin Laden acesso às evidências que pesavam sobre ele?  

Assim, mesmo 10 anos depois de sua morte, muitas dúvidas e polêmicas ainda pairam sobre a influência do líder da Al-Qaeda, bem como, sobre a postura controversa do governo estadunidense. Questões que, provavelmente, serão debatidas ainda por muitos anos, dado que, apesar da morte de Bin Laden ter marcado um ponto crucial na história da Guerra ao Terror, o fato não foi capaz de, realmente, levar o terrorismo a termo.

O filme A Hora Mais Escura, da diretora Kathryn Bigelow, produzido em 2012, remonta, através da percepção da protagonista Maya (Jessica Chastain), uma agente da CIA, os pormenores da operação, com base nos poucos documentos divulgados pelas células de segurança do governo estadunidense. O filme é uma ótima referência lúdica para a compreensão do escalonamento da Guerra ao Terror, desde o 11 de setembro, até o símbolo de seu fim: a morte de Osama Bin Laden.

A morte de Bin Laden foi um ato amplamente disseminado pelos veículos midiáticos, e teve grande impacto tanto para a imagem quanto para o discurso dos EUA, no sentido de ter finalmente posto um fim à Guerra ao Terror, com a captura e execução do líder da organização terrorista mais conhecida e temida até o momento. O feito orquestrado pelos Estados Unidos teve, de fato, certo grau de sucesso no desmantelamento das principais células da Al-Qaeda, bem como, na captura de seus membros, que seguem até hoje encarcerados na Baía de Guantánamo.

Todavia, o desmanche total da organização tem sido uma tarefa árdua e pouco eficaz, dado que muitos outros grupos surgiram e/ou se reestruturaram a partir das células enfraquecidas da organização. Exemplos disso são grupos como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS), a partir de uma célula formada por combatentes que lutaram na frente de resistência à invasão dos EUA ao Iraque em 2003. Além do ISIS, a Al-Qaeda também possui ainda forte relação com o Talibã atuante no Afeganistão, com o Boko Haram, atuante na Nigéria e regiões adjacentes como Camarões, Chade e Níger, assim como, com o Al-Shabaab, atuante na Somália.

Considerações Finais

Após a análise dos pontos levantados neste artigo, conclui-se que a morte de Osama Bin Laden teve enorme impacto na arena internacional, seja por sua posição de líder de uma das organizações terroristas mais temidas mundialmente, ou pelo fator simbólico que sua morte traz para a narrativa da Guerra ao Terror. Tal narrativa, construída pelos EUA, teve grande peso no sistema internacional no que tange à disseminação de uma agenda de segurança que coloca a luta contra o terrorismo como um dos focos principais.

A absorção dessa agenda por países que nem sequer se viam ameaçados por células terroristas diz muito sobre a capacidade dos Estados Unidos de influenciar a percepção de ameaça de outros Estados, fazendo com que importem agendas securitárias que nem sequer concernem aos seus problemas e ameaças reais. A narrativa da Guerra ao Terror escancarou tal poder de influência dos EUA, e toda o processo de busca, captura e morte de Osama Bin Laden serviram aos EUA como uma ferramenta de validação de seu discurso de “polícia do mundo”, responsável pela garantia da segurança e da ordem democrática mundial.

Entretanto, o que se observa, de fato, é que todo o recurso midiático criado em cima da morte de Bin Laden serviu muito mais como uma ferramenta política para a disseminação do discurso de vitória dos EUA sobre o terrorismo, do que como uma estratégia efetiva de desmantelamento das células terroristas atuantes no mundo todo, haja vista que, mesmo com a morte de Bin Laden, as organizações terroristas continuaram se fortalecendo e disseminando seu discurso em diversas regiões do globo. Assim, conclui-se que mais uma vez, os EUA clamam vitória por um fato isolado, que apenas reforça seu poder enquanto líder mundial, mas não auxilia na resolução de ameaças concretas, que vão muito além de uma única figura de liderança, como a que se refletia em Osama Bin Laden.

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