Criação da Agência Espacial Brasileira (AEB) – 10 de fevereiro

Fonte: Invoz
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A Agência Espacial Brasileira (AEB) é uma organização civil responsável pelo programa espacial brasileiro desde sua fundação em meados da década de 1990. Seu principal ponto operacional é no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, criado em 1995, e localizado em Parnamirim, próximo a Natal no Rio Grande do Norte. Ademais, o Centro Barreira do Inferno fornece suporte de rastreamento para lançamentos nos Centros de Lançamento de Alcântara, no Maranhão (o melhor lugar do mundo para lançamento de foguetes por conta de sua proximidade com a linha do Equador) e no Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa. A AEB deu ao Brasil um papel no espaço sideral sul-americano e proporcionou ao país uma independência relativa de projetos multilaterais como a Estação Espacial Internacional.

Durante o período da ditadura militar (1964 – 1985), o programa espacial nacional estava sob comando dos militares que, em 10 de fevereiro de 1994, foi transferido para o controle civil com o projeto de lei do então presidente Itamar Franco, que oficializou a Agência Espacial Brasileira. No entanto, o projeto nacional espacial sofreu um grande revés em 2003 quando a explosão de um foguete em Alcântara matou 21 técnicos. O primeiro foguete brasileiro a ser lançado só veio no ano seguinte, quando em 23 de outubro de 2004 foi lançado de Alcântara. O foguete era o modelo VSB-30, lançado em uma missão sub-orbital. Daí em diante, diversos foguetes foram desenvolvidos e lançados a fim de auxiliar o monitoramento e pesquisa de diversas estudos de empresas estatais como, por exemplo, o Ibama e o INPE.

O início de um sonho

Foi durante a presidência de Jânio Quadros, na década de 1960, que uma comissão elaborou um programa nacional para a exploração espacial. Como resultado desse trabalho, em agosto de 1961, foi formado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais, com sede em São José dos Campos, interior de São Paulo. Os pesquisadores envolvidos no projeto brasileiro tinham experiência em projetos espaciais no exterior, sendo especializações em astronomia, meteorologia, geodésia e geomagnetismo. A comissão fui substituída, em abril de 1971, pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, hoje conhecido como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Desde a criação do então Centro Técnico da Aeronáutica (CTA), atual Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA), em 1946, o Brasil vem acompanhando os avanços internacionais no setor aeroespacial. Com a criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), foi criada uma instituição plenamente qualificada para formar profissionais brasileiros altamente qualificados nas áreas de tecnologia aeroespaciais. O DCTA, por meio do ITA e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), desempenha um papel fundamental na consolidação do programa espacial brasileiro.

No início dos anos 1970, a Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE) foi criada pelo governo militar para coordenar e monitorar a implementação do programa espacial nacional. Tal função de coordenação foi transferida para a AEB em 1994. A criação da AEB representa uma mudança na orientação e no interesse do governo brasileiro em estabelecer uma coordenação central do programa espacial, subordinada diretamente à Presidência da República. Vejamos a seguir algumas das características e conquistas do programa espacial brasileiro.

Conquistas e tecnologias do Programa Nacional Espacial

O primeiro satélite desenvolvido inteiramente no Brasil foi lançado no dia 9 de fevereiro de 1993, chamado de Satélite de Coleta de Dados ou simplesmente de SCD-1. Pesando aproximadamente 110 kg, o satélite gira em torno do planeta Terra a cada 100 minutos, em uma órbita quase circular, a uma altitude de certa de 760 km. O SCD-1 é um satélite experimental de comunicação e monitoramento ambiental, que recebe e coleta dados relacionados a hidrologia, meteorologia e monitoramento do meio ambiente no geral. Ademais, o satélite foi projetado, desenvolvido, construído e lançado por uma equipe de cientistas, engenheiros e técnicos brasileiros em atividade no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), sendo todo o equipamento produzido pela industria nacional.

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Satélite SCD-1 | Fonte: INPE

Por sua vez, o INPE é uma unidade civil de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que tem como principais objetivos o fomento à pesquisa científica, aplicações tecnológicas e qualificação de recursos humanos nas áreas de ciências espaciais e atmosféricas, engenharia espacial e tecnologia espacial. Já o Departamento Brasileiro de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, estabelecido em 1953, é o centro nacional de pesquisa militar para aviação e voo espacial. Subordinado à Força Aérea Brasileia (FAB), o departamento coordena todas as atividades técnico-científicas relacionadas ao setor aeroespacial nas quais haja interesse do Ministério da Defesa.

Além do SCD-1, o Sonda é uma ‘família’ de foguetes brasileiros de sondagem que servem como um caminho para a pesquisa e o desenvolvimento de um foguete orbital VLS (veículo lançador de satélites). O foguete Sonda 1 era um foguete de dois estágios com altitude máxima de voo de 65km. Com uma massa total de 100kg, diâmetro de 11cm e medindo 4,5m de comprimento, foi lançado entre 1965 e 1966. Por outro lado, o foguete Sonda-2 é um foguete de estágio único com altitude máxima de voo de 180km. Com uma massa total de 400kg, diâmetro de 30cm e medindo 5,6m de comprimento, foi lançado entre 1990 e 1996. O foguete Sonda-3 também é um foguete de dois estágios assim como o Sonda-1, mas é disponível em duas versões: o Sonda-3, pesando 1,5 toneladas e o Sonda-3M1, pesando 1,4 toneladas. Os dois foguetes têm altitude máxima de voo de 600km, diâmetro de 30cm, e medindo 8m de comprimento. Ambas versões do Sonda-3 foram lançadas entre 1976 e 2002. Por fim, o Sonda-4 é um foguete de dois estágios com altitude máxima de voo de 800km. Com uma massa total de 1,2 toneladas, diâmetro de 1m e medindo 11m de comprimento, foi lançado entre 1984 e 1990.

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Modelos dos Foguetes Sonda | Fonte: AEB

O objetivo dos testes com os foguetes Sonda era desenvolver o VLS-1, que deveria ser capaz de lançar satélites na Órbita Terrestre Baixa (OTB). Este foi o principal lançador de satélites das AEB. No entanto, o VLS-1 foi cancelado após décadas de desenvolvimento e altos gastos com resultados abaixo do esperado e uma cooperação fracassada com a Ucrânia que atrasou o programa por anos. O desenvolvimento do VLS-1 foi iniciado em 1984 após o lançamento do foguete Sonda-4. Alguns protótipos foram construídos e lançados, mas sempre fracassaram. Durante o lançamento dos protótipos V1 e V2, problemas técnicos impediram o sucesso da missão, mas permitiram o teste de vários componentes do veículo. O protótipo V3 explodiu na plataforma de lançamento em 22 de agosto de 2003, dois dias antes da data de lançamento prevista. O acidente de 2003 do Alcântara VLS causou um grande revés no programa espacial brasileiro, encerrando o projeto pela AEB em 2016.

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Explosão do V3 em Alcântara em 22 de Agosto de 2003 | Fonte: Agência Brasil (Rose Brasil/ABr)

No entanto, a AEB segue com uma forte política de desenvolvimento tecnológico em conjunto com programas de cooperação e transferência de tecnologia de programas espaciais mais avançados. Inicialmente muito dependente da parceria dos Estados Unidos, a AEB agora coopera com diversos países como a Ucrânia, a Rússia, a Índia, tendo como seu maior parceiro, a China.

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Sobre o Autor

Mestranda em Relações Internacionais pela PUC Minas do Brasil. Integrante da equipe de comissionamento na área de Segurança Internacional em Relações E-Internacionais. Membro de dois grupos de pesquisa com foco em Estudos de Terrorismo (TRAC) e em Processo de Decisão, Política Externa e Brasileira e Política (CEPDE). Pesquisadora voluntária na revista Relações Exteriores.

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