A criação da Liga Árabe e sua presença no Oriente Médio – 22 de março de 1945

Bandeira da Liga Árabe | Fonte: Wikimedia Commons
A criação da Liga Árabe e sua presença no Oriente Médio - 22 de março de 1945 1

A Liga Árabe é uma organização regional dos Estados árabes no Oriente Médio e África, fundada em 22 de março de 1945, no Cairo, Egito, como uma consequência do Pan-arabismo. Os Estados fundadores desta organização foram Egito, Síria, Líbano, Iraque, Jordânia (antiga Transjordânia), Iêmen e Arábia Saudita. Ao longo dos anos, a Liga expandiu, dando boas-vindas a mais 15 Estados-membros até o início da década de 1990.

Quando criada, a Liga tinha o objetivo de fortalecer e coordenar programas políticos, econômicos, culturais e sociais de seus membros, além de mediar disputas regionais. A assinatura de um acordo de defesa conjunta e cooperação econômica em abril de 1950 também comprometeu os signatários com a coordenação de defesa militar na região. Já em 1959, foi realizado o primeiro congresso árabe do petróleo e, em 1964, foi estabelecida a Organização Educacional, Cultural e Científica da Liga Árabe, mais conhecida como ALESCO.

Estados-membros da Liga Árabe
Fonte: Map Comersis

Enquanto a organização é comprometida em respeitar os governos estabelecidos por seus Estados-membros e em garantir suas respectivas soberanias e independências, a mesma estabeleceu uma série de objetivos a serem cumpridos desde sua fundação. Dentre os objetivos, destaca-se a manutenção e o fortalecimento da solidariedade entre os Estados árabes em face de ameaças externas; assegurar a coesão e a paz entre os Estados-membros, arbitrando conflitos e opondo-se a qualquer recurso à força; além de assegurar a cooperação dos participantes em diversas áreas como assuntos jurídicos, financeiros, econômicos e culturais. Em termos de estrutura, a Liga se assemelha a outras organizações como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia, tendo um Conselho geral, diversos Comitês e o Secretariado Geral.

As atividades políticas da organização se intensificaram sob a liderança do terceiro secretário-geral Mahmoud Riad entre 1972 e 1979. No entanto, a Liga foi enfraquecida por diversas dissensões internas sobre questões políticas, em especial àquelas relativas ao conflito Israel-Palestino. Depois que o Egito assinou um tratado de paz com Israel em março de 1979, outros membros da Liga votaram pela suspensão da participação egípcia na organização e a transferência da sede do Cairo para Túnis, na Tunísia, onde permaneceu até 1989. Com a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990, e o envolvimento posterior de países ocidentais no conflito a pedido da Arábia Saudita, houve uma profunda divisão na organização.

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Ademais, a Liga Árabe foi forçada a se adaptar às mudanças repentinas no mundo árabe quando protestos populares conhecidos como a Primavera Árabe estouraram em vários países do Oriente Médio e Norte da África no final de 2010 e início de 2011. Em fevereiro de 2011, a organização suspendeu a participação da Líbia na liga em meio à violenta resposta de seu regime à revolta da Líbia , e em março apoiou a imposição de uma zona de exclusão aérea para proteger os oponentes do líder líbio al-Kadafi de ataques aéreos.

A participação da Líbia na Liga Árabe foi restabelecida em agosto sob a representação do Conselho Nacional de Transição (CNT), após a derrubada de al-Kadafi. Enquanto isso, conforme o levante de 2011 na Síria se tornava cada vez mais violento, a Liga Árabe chegou a um acordo com o governo sírio em novembro do mesmo ano para encerrar sua campanha sangrenta de meses contra manifestantes pacíficos na Síria. Menos de duas semanas depois, em meio a relatos de que as forças sírias continuaram a matar manifestantes apesar do acordo, a Liga Árabe votou pela suspensão indefinida da participação da Síria na organização.

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Sobre o Autor

Mestre em Relações Internacionais pela PUC Minas do Brasil. Integrante da equipe de comissionamento na área de Segurança Internacional em Relações E-Internacionais. Membro de dois grupos de pesquisa com foco em Estudos de Terrorismo (TRAC) e em Processo de Decisão, Política Externa e Brasileira e Política (CEPDE). Pesquisadora voluntária na revista Relações Exteriores.

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