“As mulheres de hoje podem administrar grandes empresas, servir nas Forças Armadas e ocupar cargos públicos (Share America; 2016)”. Os cargos e direitos que as mulheres possuem hoje, apesar de ainda precisarem ser melhoradas, são decorrentes da luta de inúmeras mulheres no passado. 

Em 1848, houve uma reunião de homens e mulheres em Seneca Falls, Nova York, para a primeira convenção dos direitos das mulheres, na qual foi emitido uma Declaração de Independência das mulheres. Dois anos depois, em 23 de outubro de 1850, esse grupo debateu muito sobre a desigualdade e as injustiças sofridas pelas mulheres americanas. Muitas delas trabalhavam contra a escravidão, e começaram a se ver como escravas da sociedade, que lhes negavam seus direitos básicos. 

Por conta disso, esse grupo decidiu organizar a primeira Convenção Nacional dos Direitos da Mulher, em Worcester, Massachusetts; “uma série de congregações políticas históricas que ocorreram na segunda metade do Século XIX objetivando o alcance do direito ao voto pelas mulheres estadunidenses (massmoments; 2010)”. Esse grupo queria constatar se essas teriam o apoio de todo o país.

A convenção durou 2 dias e contou com a presença de mais de 1,000 delegados de 11 estados diferentes. Os palestrantes, que eram majoritariamente mulheres, exigiram o direito ao voto, à propriedade, à admissão no ensino superior, ao ministério e outras profissões. Dentre as mulheres presentes nesse congresso, estava  a abolicionista Sojourner Truth, a sufragista Lucy Stone e a física Harriet Hunt. O que as unia era que elas foram negadas na Faculdade de Medicina de Harvard por serem mulheres.

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A imprensa cobriu a convenção e, apesar de terem desprezado e debochado da reunião, a sua presença foi importante, pois chamou a atenção de um grande número de pessoas, que começaram a apoiar o movimento a partir daí. Não só as “mídias” desprezavam o congresso, mas a maioria dos americanos também. Eles achavam um absurdo a ideia de que as mulheres poderiam ter os mesmo direitos que os homens, e acreditavam ser normal e adequado a existência, 

De um sistema legal que privava as mulheres de seus direitos, dava aos homens controle total sobre os rendimentos, propriedades e filhos das mulheres casadas e excluía as mulheres do ensino superior, do púlpito e das profissões (massmoments; 2010).

Apesar de ter sido uma convenção histórica, seus resultados de fato só vieram anos depois, quando a maioria das mulheres que estiveram presente na reunião já tinha morrido. Só 70 anos depois da convenção que elas receberam o direito ao voto.

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Editora assistente e pesquisadora na linha de segurança internacional da Revista Relações Exteriores. Futura analista de Relações Internacionais pela IBMR. Núcleo de Pesquisa Maria Rebello Mendes (NUPREM-IBMR).

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