Este dia na história: Marcha das Mulheres a Versalhes

Grupo de mulheres indo em direção a Versalhes. Fonte: Bibliotheque Nationale.

Também conhecida como A Marcha sobre Versalhes, foi um dos principais eventos do início da Revolução Francesa em 1789. No dia 5 de outubro daquele ano, enquanto caçava animais em um bosque na comuna francesa próxima de Meudon, o então rei Luís XVI foi noticiado que uma multidão de mulheres feirantes estava indo em direção ao palácio real, cujo objetivo era exigir farinha e/ou trigo dos soberanos, assim como algumas mudanças constitucionais ofertadas pela Assembleia Nacional.

Para entender o porquê da marcha das mulheres, é necessário saber o cenário político e social na qual a França estava inserida naquela época. Enquanto o povo passava fome e necessidade, a nobreza realizava inúmeras festas regadas de luxo, além de se armarem contra a população. Nos dias 1° e 3 de outubro, o palácio de Versalhes realizou duas comemorações para festejar a chegada da infantaria que seria responsável pela proteção do palácio e do rei. Ao chegar ao conhecimento da população que se encontrava na capital, um sentimento de revolta se instalou, somada aos ventos de um possível golpe que circundavam a capital do país.

A ida desse grupo a Versalhes não foi uma decisão momentânea; a ida ao palácio já era cogitada desde o início da revolução. Foram os revolucionários que de fato incentivaram essa marcha, que reuniu cerca de 6 mil mulheres que marcharam sob a chuva gritando “Vamos buscar o padeiro, a padeira e o padeirinho”, ou seja, Luís XVI, Maria Antonieta, e Luís Carlos, o herdeiro do trono.

Quando chegaram ao palácio, a multidão, que somava mais de 20 mil pessoas, foi recebida pela Assembleia Nacional e ficou aguardando uma resposta do rei. Por conta da demora de um posicionamento e do cansaço que assolavam o grupo, o palácio foi invadido e o quarto de Maria Antonieta, que não estava lá, destruído. A tentativa dos guardas em proteger o palácio falhou, e suas cabeças foram fincadas na ponta das lanças.

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O rei se mostrava inflexível, e não queria de jeito nenhum aparecer para o povo e assinar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Nesse momento, foi o Marquês de La Fayette que convenceu Luís XVI a ratificar a declaração. Após isso, a família real se mudou para o Palácio das Tulheiras, onde o povo queria que eles ficassem, para que a população recebesse mais comida.

A importância desse evento está no papel das massas e, principalmente, das mulheres, que apesar de pobres e analfabetas, sabiam que era necessário haver mudanças. O sucesso da marcha foi um ponto importante para o andamento da revolução, pois demonstrou que o Antigo Regime estava em declínio.

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Sobre o Autor

Editora assistente e pesquisadora na linha de segurança internacional da Revista Relações Exteriores. Futura analista de Relações Internacionais pela IBMR. Núcleo de Pesquisa Maria Rebello Mendes (NUPREM-IBMR).

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