PERSPECTIVAS PARA O BRASIL CUMPRIR O OBJETIVO 7 DA AGENDA 2030

Bandeira do Brasil | Rafaela Biazi via Unsplash
Bandeira do Brasil | Rafaela Biazi via Unsplash

A globalização trouxe à tona muitas questões para o debate internacional que estavam desafiando o sistema de entrar em um colapso, se não forem resolvidos. Questões como o meio ambiente, fome, desastres ambientais, sustentabilidade, igualdade de gênero tomaram grande destaque nas agendas internacionais, em busca de soluções mais eficazes para enfrentar tornando o mundo melhor presente e futuro (FROTA E SENS,2017).

 As ações de todos os agente internacionais deveriam ser pensadas e projetadas em um futuro responsável de preservação e não destruição do que estava sendo construído. Os Estados não estavam dando conta da grande demanda de questões que envolviam a multilateralidade havendo a necessidade de uma organização que intermediasse um plano de cooperação internacional para focar em resolver desafios coletivos mundiais de grandes impactos.

Com estas questões a serem resolvidas e colocadas em uma agenda internacional a ONU- organização das nações unidas desempenhou um importante papel intermediador, propondo desafios e soluções para enfrentar as pautas diversas do multilateralismo envolvendo todos os atores de relações internacionais. Iniciou-se primeiramente um debate em torno na interderdependência complexa originada pelo globalismo, onde as decisões tomadas por um agente internacional em qualquer lugar do globo, afetaria as demais localidade. Definiu-se o significado de interdependência como a situação nas quais os protagonistas ou os acontecimentos em diferentes partes de um sistema afetam-se mutuamente em uma dependência mútua (FROTA E SENS,2017).

Com isso a ONU teve que pensar em um plano de cooperação internacional para colocar em pauta todas as questões com a finalidade de tornar o mundo mais sustentável para as gerações futuras com soluções criadas no presente, de forma a garantir a paz, um ambiente limpo e de qualidade para todos viverem, este plano deveria incluir todos os agentes existentes possíveis envolvido nas relações internacionais, pois o que um fizesse de ruim impactaria nos demais. A função principal de uma organização como a ONU é de fomentar e operacionalizar a cooperação coletiva, principalmente entre os Estados, para a resolução ou prevenção de problemas mundiais, ou mesmo locais com efeitos globais (FROTA E SENS,2017).

Segundo cita FONTANA E KRAINER,2016 p.76;

“As organizações internacionais não surgiram por acaso, mas para atender ás necessidades da comunidade internacional em constante transformação. Assim, o acelerado desenvolvimento tecnológico, o aumento da violência, as intermináveis guerras entre os povos, a ampliação do potencial destrutivo dos armamentos bélicos, a multiplicação das relações comerciais, a incontrolável poluição do meio ambiente, o deslocamento desenfreado da população e o desrespeito aos direitos humanos são apenas alguns dos fatores que determinaram a criação das Organizações Internacionais, em especial da ONU (FONTANA E KREINER 2016, P.76).”

Voltada para este foco das Organizações Internacionais de atender as necessidades da comunidade internacional a ONU propôs a criação de uma agenda de desenvolvimento sustentável sendo que o papel principal de uma agenda é a de promover temas que são estrategicamente mais relevantes para um grupo de atores, mas não a totalidade de atores do sistema e direciona-los com a opinião pública para votação e práticas (FROTA E SENS,2017).

Esta agenda de desenvolvimento sustentável teve um maior destaque na conferências da ONU Rio+20, realizada no Rio de Janeiro em 2012, naquela conferencia foram avaliados os resultados das anteriores voltados para questões sobre o clima, meio ambiente, fome, dentre outras voltadas para a sustentabilidade. Os objetos da Rio+20, desde a sua concepção, foram menos concretos e mais principiológicos, o desenvolvimento sustentável que nomeou a conferência foi o tema de maior relevância e consolidação principal na ocasião (FROTA E SENS,2017).

Segundo Frota e Sens 2017 p. 128,

Foi na Rio+20 que se consolidou em definitivo no regime ambiental a ideia de que não é possível discutir a conservação ambiental sem fazer referência ao desenvolvimento econômico e social permeou os trabalhos da ONU sobre o tema, em particular na elaboração do regime substituto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que, não por acaso, passou a ser chamado de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. (FROTA E SENS 2017 P.128).

“A Rio+20 tinha como objetivo central que os governos renovassem o compromisso político com o desenvolvimento sustentável firmados anteriormente nas principais cúpulas sobre o tema, de forma a avaliar o progresso, identificar lacunas na implementação das decisões adotadas, além do estabelecimento de emergentes (GUIMARÃES E FONTOURA,2012). Vamos descrever o que seria agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável citados nesta conferência que ganhou relevância global.”

O Brasil caminha como apoiador deste cumprimento, apesar das inúmeras dificuldades que o país enfrenta para colocar em prática a Agenda 2030. No caminho do cumprimentos dos 17 objetivos, está mais próximo de cumprir o objetivo 7 que é o de Energia Acessível e Limpa, cuja missão é Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível a energia para todos. É importante o acompanhamento deste processo no Brasil para averiguar onde o país está em relação aos objetivos sustentáveis, em especial o Objetivo 7.

Vamos acompanhar como estão as medidas do Brasil em relação ao cumprimento do objetivo 7 da Agenda 2030, começando pelo conceito geral dos 17 objetivos citando quais são para entender do que se trata a Agenda, explicando sobre o que seria o Objetivo 7 e suas metas para assim entrar nas medidas das ONU em relação ao Brasil para ajudar e fiscalizar o cumprimento das metas, a ONU é o principal canal de avaliação e apoio das ODS, pois foi ela que definiu as metas e é responsável por intermediar os demais agentes participantes que são o Governo e empresas privadas que assinaram o acordo de até 2030 oferecer uma energia mais renovável, limpa, acessível e sustentável para todos.

Em relação a ONU foi montada uma agencia no Brasil através do site www.odsbrasil.gov.br e sua finalidade é apontar indicadores brasileiros para todos os objetivos de desenvolvimento sustentável, onde é uma canal que avalia o andamento da agenda em todo o território nacional. Este relatório tem apoio principal o Governo brasileiro e o IBGE- Instituto brasileiro de geografia e estatística. Em relação a empresas privadas as mesmas estão recebendo apoio da ONU e do Governo para incentivaram a mudança das energias fósseis e não renováveis por parte das empresas e da população.

 Nas empresas os investimentos em energia solar, fotovoltaica, eólica vem recebendo os principais focos de investimento, milhões até mesmo bilhões de reais estão sendo investidos em usinas, parques e fazendas solares e isso também tem impactado na vida das pessoas que também estão mudando a utilização da energia elétrica pela renovável. Mesmo assim ainda fica o desafio de fazer isso em todo o território nacional, atingindo também famílias e pessoas menos favorecidas.

O Governo em parceria com empresas privadas tem buscado soluções para aumentar o acesso a energias limpas e renováveis até mesmo buscando a troca de hidrelétricas, termoelétricas por fazendas, usinas solares que também gerarão grande impacto na preservação do meio ambiente, que é muito agredido com os métodos tradicionais de fornecimento de energia.

Influência teórica das Relações Internacionais no debate com os novos atores sobre a agenda 2030.

As Relações internacionais sempre colocaram em debate os temas mais importantes da atualidade buscando assim ampliar seu campo de atuação, discussão e contribuição para melhor compreensão dos novos acontecimentos no mundo. Não foi diferente em buscar questionamentos sobre como as organizações internacionais podem propor medidas de melhorar a paz mundial por meio da conexão de todos os agentes de relações internacionais. Os novos agentes somam Estado, empresas públicas, privadas, organizações internacionais em prol de uma agenda mais abrangente de metas que impactassem em um todo por um mundo melhor e menos desigual. A ONU é uma organização internacional que vem tentando influenciar estes agentes com foco nos mesmos objetivos e metas em uma agenda com 17 objetivos.

A corrente realista trabalha uma análise acima dos Estados nacionais e limita muito a ação dos agentes estatais, mesmo que percebam a impossibilidade de modificar o nível estrutural já existente. Mas acreditam em uma estrutura supra-estatal que é capaz de impingir ordem a realidade internacional (FROTA E SENS,2017). Com esta analise os realistas entraram em conflito com a corrente realista contemporânea e tiveram dificuldade de dialogar. O realista Mearsheimer, afirmava descrença na possibilidade de as instituições internacionais garantirem a paz no cenário pós-Guerra Fria o que a corrente liberal já defendiam no mesmo período.

Conforme citado por Frota e Sens, 2017, p.105, Mearsheimer diz que,

“Realistas defendem que as instituições são basicamente um reflexo da distribuição do poder no mundo. Elas são baseadas em cálculos de interesses próprio das grandes potências, e elas não tem nenhum efeito independente do comportamento dos Estados. Os realistas, portanto, acreditam que as instituições não são importantes para a causa da paz. Elas tem uma importância apenas marginal (FROTA E SENS, 2017, P.105 APUD MEARSHEIMER,1994). (CITAÇÃO DE CITAÇÃO)”

Ele acreditava que mesmo que o sistema internacional por meio das instituições pudessem exercer alguma influência não conseguiriam de maneira efetiva, pois os Estados de qualquer forma iriam em partes conduzir suas políticas em favor dos seus próprios interesses o que dificultaria assim o cumprimento de uma agenda internacional mais abrangente como no caso da agenda 2030 (FROTA E SENS,2017).

Já para os realistas contemporâneos, a balança de poder ainda é o único método verificável para garantir a paz. Ignorar isso e superdimensionar o poder que as instituições têm pode gerar certos efeitos desfavoráveis para a segurança internacional (FROTA E SENS, 2017, P.105 APUD MEARSHEIMER,2014).

Em contrapartida o liberalismo acredita na formação de redes de tomada de decisão e de codependência que condicionam e orientam as ações dos Estados (KEOHANE; NYE,1987), bem como a formação de regimes internacionais, definidos como “princípios, normas, regras e processos de tomada de decisão em torno dos quais as expectativas dos atores convergem em uma dada área temática” (FROTA E SENS,2017).

Entre os realistas e liberais, um tende a ser mais analítico que o outro mais normativo, mas ambos debates teóricos buscam uma melhor forma de ver as ações dos agentes não estatais em promover ações em prol da paz e relacionar com todos os agendes de Relações Internacionais de maneira mais afetiva. Pois independente das organizações internacionais, os Estados ainda possuem autonomia independente o que pode afetar as decisões e cumprimento de uma agenda mais ampla e coletiva como a Agenda 2030. As organizações internacionais são importantes, mas não podem tirar a soberania dos Estados em tomar decisões independentes.

Os objetivos sustentáveis da Agenda 2030

Segundo o site oficial da ONU Brasil e ODS Brasil, os objetivos de desenvolvimento sustentável são um apelo global a ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possa atingir a Agenda 2030 no Brasil e no mundo.

Os 17 ODS- Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são: Objetivo 1- erradicação da pobreza; 2- fome zero e agricultura sustentável; 3- saúde e bem estar; 4- educação de qualidade; 5- igualdade de gênero; 6- água potável; 7- energia limpa e renovável; 8- trabalho descente e crescimento econômico; 9- indústria, inovação e infraestrutura; 10- redução das desigualdades; 11- cidades e comunidades sustentáveis; 12- consumo e produção responsáveis; 13- ação contra a mudança global; 14- vida na água; 15- vida terrestre; 16- paz, justiça e instituições eficazes; e 17- parcerias e meios de implementação.

Antes de definir a Agenda 2030 a partir da Rio+20 havia percebido por meio da comunidade internacional um esgotamento de um estilo de desenvolvimento ecologicamente depredador, socialmente perverso, politicamente injusto, eticamente reprovável e culturalmente alienado e precisava de novos rumos (GUIMARÃES; FOUTOURA,2012). Notava-se uma necessidade de mudanças nas Relações Internacionais em sua agenda sobre sobre os problemas de desenvolvimento do mundo, desde a conferência de Estocolmo em 1972, passando pela cúpula de 1992 no Rio de Janeiro, no Brasil, há um maior debate sobre enfrentamentos dos desafios impostos pela crise de insustentabilidade dos estilos atuais de desenvolvimento, para chegar a atual evolução dos objetivos sustentáveis atuais (GUIMARÃES; FOUTOURA,2012).

A Rio+20 foi importante e deu a largada inicial para introdução de questões ambientais, sociais, culturais e econômicas de desenvolvimento no debate de desenvolvimento sustentável, pois o meio ambiente somente não era suficiente para melhorar o mundo, pois esta interligado a outros fatores importantes. Foram introduzidos nesta conferência novos atores além do Estado, privados e da sociedade civil, e teve também introdução histórica da comunidade cientifica.

A realidade da última década comprovou a hipótese de que as pressões provocadas pelo aumento da riqueza nacional para satisfazer as necessidades básicas de uma população crescente continua produzindo impactos severos na adoção de recursos naturais da região, enquanto o incremento das atividades extrativas e industriais representa pressões ainda mais agudas na capacidade de recuperação dos ecossistemas que proveem serviços ambientais essenciais para atividades econômicas. Uma vez que a maioria dos setores públicos e privados consideram os princípios de proteção ambiental e de desenvolvimento sustentável uma ameaça ao crescimento econômico, dificultando ainda mais sua ampliação (GUIMARÃES; FOUTOURA,2012).

Segundo citado por Frota;Sens, 2017, p.112 apud Hass 2015:

“Invocar normas globais torna-se problemático quando elas não forem compartilhadas de maneira ampla por todos os atores relevantes. Por exemplo, normas de soberania, intervenções justificáveis, direitos humanos, normas de guerra e mesmo normas sobre segurança nuclear, ao passo que sejam compartilhadas pelos Estados, podem não ser respeitadas por grupos não estatais (Frota; Sens, 2017, p.112 apud Hass 2015).”

A participação da sociedade civil internacional e dos atores não estatais é cada vez mais presente e necessária nos diversos temas internacionais. Os temas e as pautas não podem ser tomados de maneira individualizada, uma vez que os sistemas de tomada de decisão, os agentes e as instituições entrelaçam-se em uma arquitetura complexa e multifacetada. Com o tema do desenvolvimento não é diferente, pois ele irá se entrelaçar com os demais desafios internacionais com foco principal o meio ambiente (FROTA; SENS,2017).

O regime mais abrangente e ambicioso no tocante ao desenvolvimento são os Objetivos do Milênio das Nações Unidas, uma série de compromissos, organizados em oito eixos centrais que vão do combate à fome e a pobreza até a promoção da saúde materno-infantil, os quais devem orientar as políticas públicas de todos os países, especialmente daqueles em desenvolvimento. A data para o atingimento dessas metas era no ano de 2015, mas como não foi atingido, foi substituído por outro, as Metas de Desenvolvimento Sustentável, com prado até 2030 ou seja A Agenda 2030 e com forte componente ambiental (FROTA; SENS,2017).

O regime para o desenvolvimento é bastante complexo e não se resume ás instituições oficiais responsáveis pela cooperação por iniciativa de países ou conjunto especifico de países, como no caso da OCDE- Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, há uma significativa participação de membros da sociedade civil internacional, como grupos filantrópicos que se voltam para a temática do alívio da pobreza em desenvolvimento (FROTA; SENS,2017).

Foi a partir da criação da ONU que o tema de desenvolvimento sustentável e meio ambiente ganharam mais pauta nos debates internacionais. A ONU além de ser uma organização responsável pela preservação da paz, ela também tem capacidade de impor em outras situações através de suas dezenas de órgãos, os Estados juntamente com os demais agentes de relações internacionais podem abordar qualquer tema que considerarem relevante (FROTA; SENS,2017). 

Objetivo 7 da agenda 2030 – Energia limpa, renovável e sustentável

Como citado no site oficial da ONU no Brasil, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global a ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares. Possam desfrutar de paz e de prosperidade, os objetivos como ditos anteriormente são 17, dentre eles destacaremos aqui o objetivo 07, que faz parte de um dos objetivos nos quais as Nações Unidas estão contribuindo para cumprir afim de atingir a Agenda 2030 no Brasil.

O objetivo 7 da Agenda 2030 no Brasil é de garantir o acesso a fontes de energia fiáveis, sustentáveis e modernas para todos. Assegurar o acesso confiável, sustentável, confiável, moderno e a preços acessível à energia para todas e todos cujos objetivos são: Até 2030, assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global; dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética; reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso a pesquisa e tecnologias de energia limpa, incluindo energias renováveis, eficiência energética e tecnologias de combustíveis fósseis avançadas e mais limpas, e promover o investimento em infraestrutura de energia e em tecnologias de energia limpa; expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis para todos nos países em desenvolvimento, particularmente nos países menos desenvolvidos, nos pequenos estados insulares em desenvolvimento nos países em desenvolvimento sem litoral, de acordo com seus respectivos programas de apoio (ONU Brasil,2022).

Visando acompanhar, regulamentar e avaliar os avanços do cumprimento da Agenda 2030 em especial do Objetivo 7 do desenvolvimento sustentável a ONU criou a ODS Brasil, uma agência para apresentar indicadores de como está o avanço do cumprimento desta agencia com o site odsbrasil.gov.br ; nele consegue-se acompanhar todas as medidas recomendadas e já realizadas e conta com o apoio da ONU Brasil em conjunto com o IBGE- Instituto brasileiro de geografia e estatística e também da secretaria especial de articulação social do Brasil ligada ao governo Federal.

Buscando contribuir para o cumprimento da ODS 7 no Brasil os órgãos apoiadores citados estão engajados com o governo federal, organizações internacionais, empresas públicas e privadas, pois como trata-se de uma agenda internacional, a participação do máximo de agentes de relações internacionais é de suma importância para o seu cumprimento, no Brasil mais de mil empresas são signatárias e visam contribuir com projetos, engajar lideranças no cumprimento das metas formando a rede do Pacto Global , esta rede está nos países signatários da agenda e possui mais de 16 mil empresas participantes no nível mundial, sendo que o Brasil possui mais de mil empresas. Segundo o mesmo site pactoglobal.org.br destaca-se para o mais próximo do cumprimento da Agenda 2030, o ODS 7 que justamente é o de Energia limpa e acessível para todos e todas.

Principais medidas tomadas para o cumprimento do objetivo 7 da agenda de desenvolvimento sustentável no Brasil.

O cumprimento do ODS 7 impacta profundamente no IDH- índice de desenvolvimento humano, pois a energia está diretamente vinculada a saúde, educação, meio ambiente, renda que dependem de seu funcionamento adequado. Não se pode promover desenvolvimento sem contar com a energia. Por isto a importância de implementar as medidas estabelecidas ao cumprimento da ODS 7 que visa justamente dar acesso à energia limpa, renovável e sustentável para todos (SOUZA;2020).

O ODS 7 foi pensado com foco em questões mais técnicas, mas não podiam deixar de lado os aspectos sociais vinculados a necessidade humana de poder usufruir da energia para estudar, ter acesso a serviços de saúde, trabalhar. Sem a energia como mencionado anteriormente não há condições humanas de desenvolvimento, pois impacta totalmente na vida e economia na sociedade brasileira. Voltando para o IDH ser realmente bom é necessário um equilíbrio de qualidade de vida dos habitantes de um pais bem como o acesso a estes habitantes a fontes energéticas (SOUZA;2020)..

No caso específico do consumo de energia a falta dela em escolas pode afetar a educação por prejudicar a informatização e o acesso a internet, as aulas em cursos noturnos onde afetam o funcionamento de equipamentos escolares necessários. Quanto a saúde, a falta de energia impede o funcionamento de hospitais e dos equipamentos necessários ao funcionamentos de aparelhos importantes. Já relacionado a renda é impossível falar de produção sem a utilização da mesma independente do ramo ser comercial ou industrial (SOUZA;2020).

No Brasil segundo relatório do PNUD- Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 2018 a desigualdade de qualidade de vida e do IDH é vista por regiões onde o Sul e Sudeste concentram as cidades com o maior índice. A exceção de Brasília e Goiânia, que são da região Centro-oeste se dá devido a ser área de influência da capital Distrito Federal. Já as regiões do Norte e Nordeste continuam as maiores desigualdades tanto em relação ao IDH quanto ao acesso a energias sustentáveis (SOUZA;2020).

Na mira do desenvolvimento principalmente levando em consideração melhoras na distribuição de energia é perceptível a sua concentração em regiões onde são economicamente centrais e ativas como as mais próximas a capitais ou polos industriais mais concentrados. As regiões onde concentra populações menos favorecidas tem menor infraestrutura para o acesso a estes recursos e são onde precisam receber mais atenção pelos projetos e energias renováveis tanto do governo quanto de empresas privadas.

Em relação ao caminho das metas do cumprimento do ODS7 apesar de estarmos mais próximos de alcança-la em relação aos outros 16 objetivos da agenda. Ainda existem muitas disparidades cerca de 99,7% da população segundo IBGE- Instituto de Geografia e Estatística em 2018, utilizam energias por meio de redes de transmissões, hidrelétricas como a usina de Belo Monte, geradores. Já o uso das energias renováveis só obteve avanço após a implementação da Agenda 2030 a partir de 2015 (SOUZA;2020).

A OIE- oferta interna de energia, teve decréscimo, pois ainda carece de apoio melhor do governo para alcançar regiões como Para, Amazonas, Roraima, regiões do Nordeste. O grau de eficiência energética vem sofrendo dificuldades devido à falta de equilíbrio entre o uso consciente e responsável de recursos naturais, principalmente nos setores de consumo e produção do Brasil. As empresas na sua maioria ainda carecem de pensar no impacto causado pelo uso de energias fosseis (SOUZA;2020).

No campo de pesquisa o Brasil ainda carece de incentivos, houve cortes de verbas pelo governo federal para pesquisadores científicos. Até então percebe-se no Brasil um potencial pouco aproveitado para energia solar e eólica, onde há mais investimentos por parte de empresas privadas , por parte do governo ainda carece de investimentos, principalmente para pensar nas populações menos favorecidas, as opções de energias compartilhadas tem sido uma boa opção como fazendas e parques solares onde abrangem energia solar e eólica já o biogás e o biometano abrange mais regiões centralizadas e com melhor infraestrutura que também carece de investimentos tanto do setor público quanto privado (SOUZA;2020).

Alguns exemplos de investimentos de empresas privadas, públicas para o cumprimento do objetivo 7 da agenda 2030.

No Brasil por parte de empresas privadas houve um crescente número de investimentos em fontes de energias renováveis, desde energia solar a energia eólica, que são as energias que receberam maiores e investimentos e foco. Este crescimento se deu a partir de 2015, ano de lançamento das ODS. Destaca-se segundo dados levantados em 2021 investimentos de empresas como: Fiat automóveis; Thyssen Krup; Anglo American; Gerdau; CSN; Usiminas; Arcelor Mittal; Fibria; MRV; Coca cola; Snef; Vallourec; Tamisa; Kinross; Ambev; Siemens Brasil; Origo Energia; Mori Energia; Andrade e Gutierrez; Tim; Petrobrás; Shell; Cemig; Energisa; Claro; Sky; Copel; Vale; Votorantin.

Os investimentos apesar de serem na sua maioria de empresas privadas, algumas contam com o apoio de governos de estados. Alguns exemplos são: Município de Jaíba em Minas Gerais, onde o governo mineiro apoiou a construção de uma usina solar fotovoltaica onde licenciou o projeto que prevê cerca de 6 bilhões de reais em investimentos, outra também em Minas Gerais é o projeto berço das gerais e da Cemig, com o projeto Cemig sim que já começaram suas fases de implantações e pretendem receber e fazer novos investimentos ao longo dos próximos anos.

Estes projetos estão na maioria contando com apoio mutuo de alguns estados federativos e empresas privadas, principalmente multinacionais com filiais no Brasil, elas estão investindo desde equipamentos tecnológicos até mesmo em infraestrutura necessários para o funcionamento das usinas, a intensão dos parques e fazendas solares no caso é gerar mais energias para distribuição coletiva. Mesmo assim observa-se que a maioria dos investimentos já existentes ou em andamento esta centralizado em regiões onde situa-se industrias, polos fabris e ainda há de muito pensar em projetos que atinjam regiões mais afastadas e a população menos favorecida, com um maior incentivo do governo federal, governos de estados este objetivo pode se tornar possível, mesmo nas condições reais atuais, captar mais investimentos e incentivar torna-se atrativo.

conclusão

A agenda 2030 é um pacto firmado com a participação de todos os novos agentes de relações internacionais, ele foi apoiado como visto anteriormente por Estados federativos, governo, empresas privadas e públicas, organizações internacionais juntamente com a ONU a promovente e gestora desta tão importante Agenda no Brasil e no mundo. Antes do lançamento dos 17 objetivos sustentáveis que compõe a agenda, a comunidade internacional já havia percebido um esgotamento das antigas tentativas de um acordo global em favor das mudanças climáticas, envolvendo também questões de impacto sociais, econômicos, visando um futuro mais sustentável.

A globalização como visto anteriormente trouxe uma interdependência complexa, onde um pais influencia o outro quando tomam suas decisões direta ou indiretamente. O meio ambiente, principal tema debatido enfrenta dificuldades em relação a empresas que não conseguem associar o desenvolvimento econômico com preservação ambiental, muitas delas ainda tem tabu quanto ao impacto econômico do novo desenvolvimento sustentável.

Mesmo com todos os impasses as empresas privadas ainda tem se destacado em seus investimentos nas energias renováveis, mas ainda permanece o desafio de pensar nas comunidades mais afastadas de polos fabris e industriais. A Agenda 2030, principalmente o ODS 7 não é uma meta impossível de alcançar com o apoio mutuo de todos os agentes de relações internacionais envolvidos mesmo que 2030 está próximo do índice apresentado na atualidade, permanecendo este desafio para os próximos anos.

Referências Bibliográficas:

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SOUZA, Luciana Cristina de. Energia e sustentabilidade humana: Impacto das metas do ODS 7 no Brasil. Revista de direito ambiental e socioambientalismo. 2020. Disponívelemhttps://indexlaw.org/index.php/Socioambientalismo/article/view/6486/0

Acessado em novembro de 2021.

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CARVALHO, Francisco Toniolo de; A agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável da ONU e seus atores: o pacto de desenvolvimento sustentável nas relações internacionais. Confluências. Rio de janeiro 2012.   Disponível em:  https://periodicos.uff.br/confluencias/article/view/34665/22955 . Acessado em Dezembro de 2021.

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GUIMARÃES, Roberto; FONTOURA, Yuna. Desenvolvimento sustentável na Rio+20: discursos, avanços, retrocessos e novas perspectivas. Scielo.  Rio de Janeiro 2012. Disponível em :https://www.scielo.br/j/cebape/a/zgc38BzxyVtgM4Trbps57xC/?lang=pt . Acessado em dezembro 2021.

ODS BRASIL. Indicadores Brasileiros para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em https://odsbrasil.gov.br/ . Acessado em dezembro 2021.

FONTANA, Vanessa; KRAINER, Jefferson Augusto. As organizações internacionais e políticas públicas brasileiras de educação e transito. Curitiba: Intersaberes, 2016.

FROTA, André; SENS, Diogo Filipe. Globalização e governança internacional. Curitiba: Intersaberes, 2017.

PACTO GLOBAL REDE BRASIL. ODS como impulsionadores dos negócios. Disponível em:https://www.pactoglobal.org.br/ods_empresas. Acessado em Março de 2022.

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Sobre o Autor

Bacharel em Relações Internacionais pela Uninter, empreendedora no ramo comercial de moda Belo Horizontina. Apaixonada por comércio e marketing com diversas certificações. Aberta a networkings. Temas de interesse: Empreendedorismo, moda, marketing, Macroeconômia, Economia, Comércio, Integração Regional, Finanças Internacionais, Organizações Internacionais, Agenda 2030,Segurança Internacional ,Direitos Humanos.

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