Dia Mundial da Não-Violência, uma homenagem a Mahatma Gandhi – 30 de janeiro

Arte: Camila - Fonte: Elliott & Fry/ Wikimedia Commons; rvimages de Getty Images Signatures via Canva
Mahatma Gandhi teve papel primordial para a independência da Índia

Em 1948, foi definido pelas Nações Unidas que 30 de janeiro seria comemorado o Dia Mundial da Não-Violência. Esta data foi criada como uma homenagem à Mahatma Gandhi, líder pacifista que foi assassinado neste mesmo dia. Esta data é voltada “à educação para a paz, à solidariedade, à mediação de conflitos e ao respeito pelos direitos humanos”.

Mahatma Gandhi e a independência indiana

A Índia é um Estado de dimensões continentais, com cerca de 3,3 milhões de km². O país era colonizado pela Inglaterra desde o século XVIII, e era a mais importante, do ponto de vista econômico, para o Estado das ilhas britânicas. No final do século XIX, surgiu o primeiro movimento nacionalista no território, liderado por intelectuais indianos. Contudo, foi só no pós-Primeira Guerra que a mobilização de fato começou a progredir, tendo em vista que a Inglaterra estava “enfraquecida economicamente e com dificuldades para manter seu extenso império“.

Nascido na Índia, na segunda metade do século XIX, Mohandas Karamchand Gandhi, comumente conhecido como Mahatma Gandhi, foi um famoso ativista que lutou pelo fim do colonialismo inglês pela independência da Índia. Quando ainda era adolescente, Gandhi se mudou para Londres, Inglaterra, para estudar Direito e se tornar um advogado. Após concluir sua graduação, ele voltou para seu Estado-nação e buscou exercer a advocacia. Entretanto, por conta da sua timidez, que era presente desde a infância, ele não obteve sucesso e, após um convite, foi para a África do Sul.

Sua temporada no país marcou o início da sua vida como ativista. Vítima de preconceito no país, que tinha decreto de leis discriminatórias contra a população indiana, Gandhi decidiu que lutaria pela defesa dos indianos, que eram vítimas de discriminação tanto pelas autoridades coloniais quanto pela população originária da Europa. Dessa maneira, Gandhi se consolidou como líder da comunidade indiana local e, durante a sua luta, criou o conceito Satyagraha de protesto não violento.

O princípio Satyagraha defendia a utilização da desobediência civil e da resistência como formas de protesto pacífico. O objetivo de Gandhi era fazer com que os que cometiam injustiças enxergassem que estavam fazendo mal as pessoas. Houve dois momentos na luta pela independência que foram marcados por esse conceito: o incentivo à produção das suas próprias roupas, boicotando as roupas vendidas pelos comerciantes ingleses, e a Marcha do Sal, uma marcha liderada por Gandhi até o litoral do país para extraírem sal; isso foi motivado pelos impostos que haviam sido atribuídos ao sal comprado pelos indianos.

Os procedimentos e as formas de luta que Ghandi propôs e utilizou eram manifestações pacíficas: diálogos, testemunhos, petições, marchas, jejuns, greves de fome, orações e cooperação com os mais oprimidos. Não-cooperação, por meio de boicote sistemático dos produtos ingleses e da recusa a colaborar com um regime ou com um sistema considerado injusto. Desobediência civil, por meio da violação intencional, organizada, sistemática de leis consideradas injustas (Redação Blog da Saúde MG).

A Inglaterra, já debilitada por conta da Primeira Guerra, enfraqueceu ainda mais na Segunda Guerra Mundial, fazendo com que ela não conseguisse mais manter a Índia como colônia. Assim, em 15 de agosto de 1947, a Índia se tornou independente da Inglaterra. Apesar do sucesso na luta pela independência, Gandhi não obteve sucesso em apaziguar os conflitos entre os indianos hindus e os indianos muçulmanos, que ocorria há cinco séculos. Essa divisão resultou na transformação da parte muçulmana do país em outro Estado, o Paquistão, e, como trágica consequência, na morte do próprio Gandhi, morto por um nacionalista hindu, Nathuram Godse, que responsabilizava o ativista pela separação do país.

Gandhi chegou a ser indicado cinco vezes ao Prêmio Nobel da Paz, entre 1937 e 1948, contudo, nunca foi o ganhador do prêmio; décadas depois, o próprio comitê organizador do evento reconheceu que ele merecia ter ganho. Quando Tenzin Gyatso, o 14.º Dalai Lama, recebeu a honraria, os organizadores do prêmio atribuíram uma parte dessa vitória à memória de Mahatma Gandhi.

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Sobre o Autor

Analista de Relações Internacionais. Editora assistente da revista Relações Exteriores. Pós-graduanda em Comunicação e Jornalismo Digital. Pesquisadora voluntária de Segurança Internacional na revista Relações Exteriores.

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