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Novo modelo revela impacto total das tarifas de ‘Dia da Libertação’ de Trump — com os EUA sendo os mais afetados
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Novo modelo revela impacto total das tarifas de ‘Dia da Libertação’ de Trump — com os EUA sendo os mais afetados

Foto por Gage Skidmore. Via Wikicommons. (CC BY-SA 2.0)

Agora temos uma visão mais clara das tarifas de “Dia da Libertação” de Donald Trump e como elas afetarão outras nações comerciais, incluindo os próprios Estados Unidos.

A administração dos EUA afirma que essas tarifas sobre importações reduzirão o déficit comercial americano e abordarão o que considera práticas comerciais desleais e não recíprocas. Trump declarou que este seria o dia

para sempre lembrado como o dia em que a indústria americana renasceu, o dia em que o destino da América foi reivindicado.

As tarifas “recíprocas” foram projetadas para impor encargos a outros países equivalentes à metade dos custos que supostamente infligem aos exportadores americanos por meio de tarifas, manipulação cambial e barreiras não tarifárias aplicadas a produtos dos EUA.

Cada nação recebeu um percentual tarifário que se aplicará à maioria dos bens. Setores notavelmente isentos incluem aço, alumínio e veículos automotores, já sujeitos a novas tarifas.

A tarifa mínima de base para cada país é de 10%. Mas muitos países receberam percentuais mais altos, incluindo Vietnã (46%), Tailândia (36%), China (34%), Indonésia (32%), Taiwan (32%) e Suíça (31%).

O percentual para a China é adicional a uma tarifa existente de 20%, totalizando 54% sobre importações chinesas. Países com tarifas de 10% incluem Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido.

Canadá e México estão isentos das tarifas recíprocas por enquanto, mas produtos desses países estão sujeitos a uma tarifa de 25% sob uma ordem executiva separada.

Embora alguns países de fato imponham tarifas mais altas sobre produtos americanos do que os EUA sobre suas exportações, e as tarifas do “Dia da Libertação” supostamente representem apenas metade da taxa recíproca total, os cálculos por trás delas são questionáveis. Por exemplo, medidas não tarifárias são “notoriamente difíceis de estimar” e “sujeitas a muita incerteza”, segundo um estudo recente.

Impactos no PIB com retaliação

Outros países provavelmente responderão com tarifas retaliatórias sobre importações americanas. Canadá (maior destino das exportações dos EUA), UE e China já anunciaram medidas equivalentes.

Para estimar os impactos desse impasse comercial, utilizei um modelo global de produção, comércio e consumo de bens e serviços. Ferramentas similares — “modelos de equilíbrio geral computável” — são amplamente usadas por governos e acadêmicos para avaliar mudanças políticas.

No primeiro cenário (com retaliação), as tarifas reduzem o PIB dos EUA em US$ 438,4 bilhões (1,45%). Dividido entre 126 milhões de domicílios, isso representa uma perda de US$ 3.487 por família/ano — o maior impacto entre todos os países.

Perdas proporcionais são maiores no México (2,24%) e Canadá (1,65%), que enviam mais de 75% de suas exportações aos EUA. Famílias mexicanas perdem US$ 1.192/ano e canadenses US$ 2.467.

Outros países com quedas significativas incluem Vietnã (0,99%) e Suíça (0,32%). Algumas nações se beneficiam, como Nova Zelândia (+0,29%, +US$ 397/família) e Brasil (+0,28%).

O PIB global cai US$ 500 bilhões (0,43%), confirmando que guerras comerciais encolhem a economia mundial.

Impactos no PIB sem retaliação

No segundo cenário (sem retaliação), países com altas tarifas dos EUA e alta dependência do mercado americano sofrem as maiores quedas (Canadá, México, Vietnã, China). O Reino Unido tem o maior ganho.

As tarifas ainda reduzem o PIB dos EUA em US$ 149 bilhões (0,49%) por aumentarem custos de produção e preços ao consumidor. O PIB global cai US$ 155 bilhões — mais que o dobro do cenário com retaliação, indicando que retaliar reduz perdas para outros países, mas piora o resultado para os EUA.

Anúncios tarifários anteriores da administração Trump já atrapalhavam o comércio internacional. As tarifas “recíprocas” são um golpe ainda mais duro. No final, os EUA podem enfrentar os maiores danos.

Texto traduzido do artigo New modelling reveals full impact of Trump’s ‘Liberation Day’ tariffs – with the US hit hardest, de Niven Winchester publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.

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