Análise Comparativa entre Técnicas de pesquisa: Análise documental e Entrevista

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A metodologia de pesquisa trata como serão os caminhos e instrumentos utilizados para averiguar determinada questão. O desenvolvimento de um estudo se inicia a partir da vontade de um indivíduo ou grupo em evidenciar, criticar, ou indagar a ciência. Sendo assim, se organiza um projeto de pesquisa a fim de organizar a elaboração e desenvolver o estudo de forma que os resultados sejam confiáveis dentro da sua área de conhecimento que estão relacionados.

Para que o objetivo de pesquisa seja feito de forma a atingir a sua meta de futura análise, caberá ao pesquisador a definição de qual técnica de pesquisa se adequa ao seu método de pesquisa. De acordo com Botelho (2013), a escolha correta da técnica é essencial para garantir a seriedade e credibilidade da pesquisa. Posto isto, neste texto farei uma análise comparativa entre as técnicas de pesquisa, análise documental e entrevista, descrevendo suas características, analisando sua aplicabilidade e identificando suas limitações dentro do ambiente científico.

Ambas as técnicas podem ser utilizadas pelos métodos de pesquisa qualitativos ou quantitativos ou mistas, este em que o pesquisador coleta e analisa dados para formar suas deduções usando tanto os métodos quantitativos, quanto os métodos qualitativos em um único estudo (GIL, 2016). Segundo Lakatos (2017), os instrumentos de pesquisa utilizados para a coleta de dados devem ser escolhidos e elaborados visando à análise e explicação de aspectos teóricos estudados, assim será a forma que as fontes “falaram” dentro da pesquisa. A escolha das mesmas deve ser criteriosamente cuidadosa a se garantir fidelidade e qualidade nos resultados.

Com o objetivo de se produzir uma pesquisa por meio da análise documental serão analisados documentos escritos, mas esta classificação por si só é muito ampla, pois qualquer objeto é capaz de comprovar algum acontecimento ou fato. Observa-se que um documento traz consigo uma dimensão de tempo ao qual ele foi produzido, contribuindo para o entendimento de seu momento histórico. Assim, é considerado tradicionalmente por historiadores as diferenças entre a produção documental como sendo por: primárias geralmente produzidas por testemunhas diretas ao fato e as secundárias que não participaram, mas o reproduziram posteriormente (CELLARD, 2012). Dessa forma, segue quadro detalhando os tipos de fontes documentais utilizadas em pesquisas:

Quadro 01 – Tipos de fontes documentais

Análise Comparativa entre Técnicas de pesquisa: Análise documental e Entrevista 3

Fonte: Lakatos, 2017, p. 193.

Constata-se que entrevistas fazem parte de documentos, mas somente após a publicação em algum meio de comunicação. Quando se refere a entrevistas como técnica de pesquisa, se trata de um procedimento devidamente organizado com a finalidade de adquirir dados específicos que possam agregar o conteúdo para desenvolvimento da pesquisa. Diferente da análise documental na entrevista é um encontro físico entre o entrevistador e a fonte, por si só acarreta em variáveis diferentes de análise como se analisar o comportamento humano em relação às perguntas e respostas dadas pelo entrevistado (GIL, 1989).

Se utilizando de documentos apresentados pelo quadro se elabora a base de dados que será utilizada, fatores como o contexto, o autor ou autores, a autenticidade e a confiabilidade do texto serão essenciais para se admitir a legitimidade tanto da fonte como para o prosseguimento do estudo a ser realizado. Certos autores consideram que esta técnica diminui a possibilidade da influência do pesquisador na busca pelos seus resultados, mas a própria definição de quais obras e autores já percorrem uma área “cinza” da própria individualidade pessoal do pesquisador. Visto que ele pode se ilhar dentro das suas próprias convicções, escolhendo assim documentos que contenham um viés de informação que outras, com isto a pesquisa pode se tornar parcial para seu interesse (CELLARD, 2012).

Ainda tratando sobre documentos, existe uma limitação quanto a sua disponibilidade ao público em geral, caso ocorra uma pesquisa sobre estratégias de defesas ou sobre a segurança de um Estado é passível que estejam sob sigilo para população com a justificativa de segurança nacional. Documentos de entes privados, como organizações políticas, sindicatos, Igrejas, comunidades religiosas, empresas e outras, também podem não ter o acesso divulgado (CELLARD, 2012). Apesar destes inconvenientes, a análise documental é a técnica mais utilizada, pois diferente da entrevista, com ela o pesquisador consegue a cobertura dos eventos de forma mais ampla, não se limitando a uma possível fonte que ao ser entrevistada pode declarar somente seus interesses (GIL, 1989).

Um fator que favorece o aproveitamento documental perante a entrevista é a condição financeira e logística para se organizar o diálogo entre o entrevistador e o entrevistado. Porém, em momentos de crise sanitária como vividos pelo Covid-19, se abriu à necessidade de contar com a tecnologia para a aproximação das pessoas, dado que diferente da análise documental os dados são recolhidos exclusivamente pelas relações interpessoais. Neste contexto, se tornou recorrente a utilização de vídeos chamadas para entrevistas de diversos setores, como pesquisa, desenvolvimento humano, jornalismo e outros. 

Devido a esta limitação em se realizar entrevistas presencialmente, a de se atentar quanto a sua contrapartida. As videochamadas são restritas, pois necessitam de certas condições mínimas de internet e tecnologia, seja com celulares, tablets ou computadores, que sejam capazes de manter a conexão. Isto posto, se abre a possibilidade ou impossibilidade de acesso a pessoas que não possuam estes instrumentos tecnológicos atualizados para que diante do momento sanitário possam participar de determinadas entrevistas.

De qualquer forma, a técnica de entrevista é útil por diferentes motivos e tem sua utilidade em diversos campos de estudos como psicológicos, sociológicos, pedagógicos, etc. Conforme apresentado por Gil (1989) a técnica de entrevista é:

(…)  “bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem ou desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes”.  

SELLTIZ ET AL., 1967, P. 273

Dessa forma, a aplicação da entrevista busca a coleta de dados referentes aos aspectos da vida social, aprofundando acerca do comportamento humano. Como vantagem ela possibilita que a pessoa entrevistada não saiba ler e escrever, possibilitando uma obtenção de informações com uma amostra maior, oferece uma flexibilidade maior na abordagem do tema, pois o pesquisador tem a liberdade de montar o questionário que será feito e conforme já exposto, possibilita a análise da expressão corporal do entrevistado. Contudo, esta técnica apresenta circunstâncias que podem prejudicar o seu resultado, falta de motivação ou lisura do entrevistado, perguntas mal formuladas, inabilidade no questionamento, além da parcialidade do entrevistador em tratar o tema podem comprometer a análise (GIL, 1989).

Conforme a necessidade do pesquisador será definida o tipo de entrevista, ela podendo ser estruturada, com um roteiro com perguntas já previamente planejadas o que facilitaria a comparação com outros entrevistados, a semiestruturada, não se mantém firmemente a estrutura de perguntas já que busca adaptar as perguntas ao entrevistado, comumente utilizadas em campanhas de marketing com finalidade de entender melhor os objetivos do cliente, e a não estruturada, onde o entrevistador tem total liberdade pois ao pesquisador as informações que o entrevistado está fornecendo são relevantes para seu objetivo de pesquisa (BOTELHO, 2013). A partir das respostas dadas durante a entrevista, se torna uma investigação social para a coleta de dados, servindo para ajudar na análise direta dos indivíduos envolvidos na demanda proposta pelo pesquisador (LAKATOS, 2017). 

Desse modo, fica claro a necessidade de se verificar minuciosamente a proposta de pesquisa, seus objetivos e que hipótese está sendo proposta que o pesquisador propõe, visto que todos estes fatos serão essenciais para a formulação da melhor técnica de pesquisa referente ao seu tema. A garantia de uma pesquisa bem fundamentada e com resultados relevantes se sustenta através da credibilidade de que a técnica foi feita, sendo esta com lisura e buscando somente a integridade da investigação, isto é o alicerce básico que qualquer pesquisa deve sempre buscar em suas análises de dados.

Referências 

BOTELHO, Joacy Machado; CRUZ, Vilma Aparecida Gimenez da. Metodologia científica. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013

CELLARD, A A análise documental In POUPART, J et al A pesquisa qualitativa enfoques epistemológicos e metodológicos Petrópolis Vozes, 3. ed, 2012.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1989

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2016

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017

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Sobre o Autor

Bacharel em Relações Internacionais pela IBMR, atualmente pesquisador voluntário do Centro Universitário IBMR Laureate no Núcleo de Pesquisa Maria Rebello Mendes (NUPREM), onde foram produzidos artigos com as temáticas de financiamento não reembolsável, fascismo, sustentabilidade e refugiados. Durante a graduação também participei da confecção dos guias para simulações relacionadas ao teatro de operações relacionados à Guerra Irã-Iraque e a reunião do Parlamento Otomano em 1909. Paralelamente tive a oportunidade de trabalhar como estagiário na área de importação de peças, desenvolvendo minha experiencia na área de Comércio Exterior. Áreas de interesse: Economia Crítica; Desenvolvimento; Políticas Públicas; Sustentabilidade; Geopolítica; História Internacional; Fascismo; Comércio Exterior; Tecnologia.

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