Relações entre a estatística e a entrevista como métodos de pesquisa

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Relações entre a estatística e a entrevista como métodos de pesquisa 1

Introdução

Nesta comparação, será utilizado como objetos de estudo dois métodos de coleta de dados na pesquisa, o método estatístico e o método de entrevista. No fim da comparação, poderá ser delimitado suas vantagens, eficiência e análise da relação dos dois métodos. Uma reflexão sobre os métodos é fundamental para produção de conhecimento, suas investigação requerem metodologias específicas, ao complementarem a pesquisa (ALONSO, 2016).

Os métodos estão ligados intrinsecamente com o conhecimento científico, de acordo com a professora Liane Zanella (2013), o conhecimento científico possui “a característica de verificabilidade, isto é, suas hipóteses podem ser comprovadas. É um conhecimento falível, porque não é definitivo, absoluto e final, já que está em constante renovação e construção.” A partir disso, será introduzido inicialmente ambos os métodos e, posteriormente, feito uma reflexão do que foi debatido ao longo do documento.

Método Estatístico

Puramente quantitativo, o método estatístico se caracteriza pela ampla utilização de dados, coletado de diferentes formas, para a formação de sua conclusão. Importante para uma descrição quantitativa da sociedade (LASTA, 2018), o método possui importância no que tange uma abordagem direta e certa do campo de estudo. Ao se basear em dados quantitativos, a pesquisa do método estatístico age principalmente no campo das ciências exatas, porém, tanto as ciências sociais quanto naturais podem utilizar o método.

Trabalhando diretamente com áreas mais quantitativas da pesquisa científica, o método estatístico costuma utilizar como base de dados nas mais diversas instituições. Essas instituições possuem suas particularidades, mas que possuem o mesmo objetivo de contribuir para uma compreensão da realidade (ALONSO, 2016). No processamento desses dados, há uma filtragem daqueles que de fato serão úteis para a pesquisa, também havendo por vezes uma construção híbrida dos dados. Essa construção híbrida mostra-se através de gráficos, que nos ajudam a absorver a informação de modo mais profundo de detalhado (AGRESTI, FINLAY, 2012)

Entre seus benefícios, como fornecer uma exatidão maior no que é proposto, não é delimitado pela área que atua. A compreensão dos dados por parte do leitor e o modo como são trabalhados na pesquisa são partes importantes do valor atribuído ao método, ainda que seja trabalhado de modo mais exato possível, o pesquisador deve explicar não apenas o processo para construção dos dados, mas também dissertar sobre sua importância e como ele reflete o objetivo da pesquisa (AGRESTI, FINLAY, 2012)

Ademais, é comumente pensado que a presença de dados em um artigo ou pesquisa se caracteriza pelo objetivo de resumir e simplificar algo dentro do almejado, estabelecendo assim uma transmissão mais clara e direta da mensagem. Entretanto, o desenvolvimento de dados em uma pesquisa não se resume a isso, podendo ser para a coleta de dados para um estudo mais aprofundado e fazer previsões baseadas nos dados levantados (AGRESTI, FINLAY, 2012). Assim, a análise estatística dentro da pesquisa contribui grandemente não apenas no levantamento, mas também na forma como podem ser trabalhados.

Porém, o método não é o mais adequado para uma descrição de situações com uma grande amostragem de pessoas ou outras variáveis. Vê-se isso no campo da macroeconomia, onde, se não bem trabalhado e examinado, pesquisas podem generalizar em excesso ao se trabalhar com dados agregados. A subjetividade existente presente no estudo e nas pesquisas científicas não consegue ser abordada de modo claro e direto pelo método estatístico, uma vez que, apesar de ser explicado na pesquisa, sofre perdas de conteúdo quando sua subjetividade não é tratada.

Este é um dos motivos pelo qual esse método é utilizado amplamente nas pesquisas das ciências exatas e naturais, pois são os campos onde há menos subjetividade. Obviamente, essa característica não posiciona nenhum campo acima de outro, apenas torna mais claro e evidente os métodos mais adequados para serem utilizados na construção de uma análise. Assim, conclui-se que uma utilização coesa e cuidadosa de dados, puros, dispersos ou agregados, pode contribuir imensamente para pesquisas de todas as áreas.

Método de Entrevista

Esse método, em sua maioria, é contemplado em pesquisas qualitativas ou do campo das ciências sociais uma vez que possui foco no processamento de dados subjetivos. Entretanto, a entrevista não se limita unicamente ao qualitativo, podendo ser utilizada para extrair dados puros do indivíduo entrevistado. Desse modo, o método possui um campo de atuação amplo que requer uma grande preparação prévia, como o planejamento da mesma, escolha do entrevistado, condições favoráveis, entre outros (BONI, 2007).

Há uma divisão entre os vários modelos de entrevista, usado para objetivos distintos e que possuem formas variadas, buscando uma maior efetividade (BONI, 2007). Seu campo de atuação, já abordado, possui sua amplitude devido, não unicamente, à seus variados modelos e abordagens de entrevista. Porém, os objetivos das entrevistas, de acordo com Angela Alonso, 2012, remetem-se em “recolher valores, opiniões, sentimentos e experiências, maneiras de entender a interpretação que produziam de sua própria situação.”

Em face do já exposto acerca da preparação necessária para o método de entrevista, é primordial ressaltar que o tempo para tal pode ser um empecilho para a conclusão das etapas. Possuindo obrigatoriedade de um outro indivíduo participante, a possibilidade de um encontro, virtual ou presencial, torna-se menor à medida que a preparação prévia é obrigatória para uma boa condução (BONI, 2007). Assim, uma das delimitações do método é observado na quantidade de variáveis presentes para prosseguimento da pesquisa científica, dependendo não apenas do pesquisador.

Sua aplicação, na pesquisa científica proposta, é portanto limitada devido a não necessidade de um 2° participante na coleta de dados. O levantamento de dados, como Impostos Extrafiscais, para a pesquisa, não pedem a necessidade de sua subjetividade ou explicação maior de qualquer personalidade, sendo retiradas de pesquisas por instituições financeiras e governamentais. Ainda que, diversas instituições possam adquirir tais dados através de entrevistas, tomando como exemplo questionários feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao realizarem suas conclusões estatísticas a partir do método de entrevista.

Logo, há margem para ser defendido uma relação entre método de entrevista e o método estatístico, havendo a possibilidade um servir como catalisador do outro, acelerando processos que tomariam largo espaço de tempo. Não apenas com o método estatístico, mas também pode-se estudar essa relação com demais modelos e formas de abordagem para uma pesquisa científica, qualificando ainda mais o método de entrevista em sua capacidade de agregar dados para o objetivo final.

Reflexões finais e Comparação

Ao longo da comparação entre métodos, foi possível ver uma análise mais próxima de ambos ao ser descrito algumas de vantagens e desvantagens. Outrossim, o modo como processam dados e podem ser utilizados em pesquisas de diversas áreas, não isoladas em ciências sociais ou nas naturais. Cada vez mais pode-se ver a utilização de dados pelo método estatístico que advém de grande métodos qualitativos anteriores, como descrito ao longo da comparação. Da mesma forma, o método qualitativo de retirada de dados contribui para as pesquisas quantitativas

O método estatístico, sendo preciso para assimilar um conjunto de dados e poder resumi-los de modo didático, sobrepõe o método de entrevista na utilidade para a pesquisa. Em contrapartida, detalhes sobre os dados e outras informações não podem ser adquiridos apenas por um recolhimento, enfatizando a importância de outros meios para abordar a subjetividade da pesquisa. É então dado o espaço para as entrevistas, que são mais eficientes nesse modelo de coleta. Pode-se ver no quadro seguinte os principais pontos que foram destacados na comparação:

Quadro 01 – Vantagens e Desvantagens dos métodos de pesquisa
Vantagem principalDesvantagem principalUtilidade para a pesquisa
Método EstatísticoAssimilar grande quantidades de dadosNão consegue abordar o todo da situaçãoCompreensão do campo macroeconômico da realidade brasileira
Método de EntrevistaCompreender a subjetividade dos dadosTrabalha-se com variáveis mais voláteis (tempo e indivíduos)Captura das experiências pessoais dos indivíduos
Fonte: Elaboração própria, baseado em Valdete Boni (2007); Alan Agresti (2012) e Barbara Finlay (2012)

É possível refletir, assim, que apesar do método estatístico estar diretamente atrelado ao objetivo da pesquisa, uma análise do nacionalismo econômico a partir das diretivas do plano real no Brasil, outros métodos podem ser utilizados. Deve ser relembrado que, apesar de se tratar de uma análise quantitativa em primeira instância, a experiência pessoal das pessoas que viveram na década de 90 e início do século XXI não é um dado que possa ser adquirido por qualquer instituição financeira. Enfatizando ainda mais um complemento dentro da pesquisa, ao transitar entre ambos os métodos.

Conclusões finais

Por fim, confirma-se o pensamento da professora Liane Zanella, descrito na introdução desse material, acerca da constante renovação e construção do conhecimento científico, atualizado a cada produção acadêmica. É esperado que o leitor possa compreender mais, após a leitura, o funcionamento e relacionamento entre métodos de coleta de dados. É válido relembrar que existem outros métodos, podendo esses serem mais compatíveis e eficientes a depender do objetivo final da pesquisa. Só é feito ciência e produz-se conhecimento a partir da realização de pesquisa (ZANELLA, 2013); uma ligação que não é possível desvincular e fazer em processos diferentes. A relação mútua entre as atividades é expressa no aperfeiçoamento do mundo em que vivemos, combinando com teses prós ou contrárias, para que ao fim possamos avançar como sociedade e indivíduos.

Referências Bibliográficas

ALONSO, Angela et al. Métodos de pesquisa em Ciências Sociais, Bloco qualitativo. São Paulo: CEBRAP, 2016

AGRESTI, Alan; FINLAY, Bárbara. Métodos Estatísticos para as Ciências Sociais. 4°. ed. [S. l.]: Penso, 2012. 664 p.

BATISTA, Eraldo Carlos. MATOS, Luís Alberto Lourenço. NASCIMENTO, Alessandra Bertasi. A entrevista como técnica de investigação na pesquisa qualitativa. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.11, n.3, p.23-38

BONI, Valdete; QUARESMA, Sílvia.. Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais. 1°ed vol 2. Revista Eletrônica dos Pós-Graduandos em Sociologia Política da UFSC, 2005. 68-80 p.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6°. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

LASTA, Tatiane Thaís. Metodologia e técnicas de pesquisa em economia. Santa Catarina: UNIASSELVI, 2018. 153 p.

ZANELLA, Liane. Metodologia e pesquisa. 2° ed.  Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/ UFSC, 2013.

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Sobre o Autor

Graduando do curso de Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Participou de simulações da ONU de Oxford, Harvard e University of Chicago. Ministrou palestras sobre Política Externa e atualmente é Secretário Geral da Fundação Econo, organização voltada para a democratização dos estudos de economia, com atuação nacional. Membro do setor de inteligência e planejamento da Internationali Negotia, organização com atuação mundial, responsável pelo setor da Ásia e Oceania. Áreas de interesse: Macroeconomia; Nacionalismo Econômico; Economia brasileira; Blocos econômicos; Integração econômica; Ciência Política; Economia Política.

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