Yom Kippur é um feriado sagrado para os judeus, pois é celebrado o Dia do Perdão, no qual eles dedicam o dia às orações e fazem jejum, como forma de demonstrar seus arrependimentos e pedir perdão pelos pecados cometidos durante o ano que está para ser encerrado. Nesta data, os transportes públicos não funcionam, o rádio e a televisão não divulgam nada, além da fronteira com a Palestina ser fechada na véspera. Tendo em vista que era um dia sagrado para o judaísmo, que era um momento de paz, calma e religiosidade, e que o sistema de inteligência do exército israelense era falho, o Egito e a Síria aproveitaram para, no dia 6 de outubro de 1973, atacar Israel no Sinai e nas Colinas de Golã, iniciando a Quarta Guerra Árabe-Israelense.

O principal motivo desse ataque aos israelenses consiste anexação que o país tinha feito de partes do território do Egito e da Síria na Guerra dos Seis Dias em 1967. Esses territórios incorporados por Israel foram a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, uma parte do Canal de Suez, as Colinas de Golã e a Cisjordânia.

Por ser feriado, os israelenses foram surpreendidos pela invasão. Além disso, eles não conseguiram ser alertados a tempo do ataque por conta de o seu principal mensageiro ser um espião egípcio e filho do ex-presidente do Egito, que retardou a chegada de informações sobre a situação. Apesar disso, e dos egípcios terem conseguido adentrar uma parte do território ocupado por Israel na Península do Sinai, o exército israelense conseguiu conter a invasão e adentrar a capital da Síria, Damasco. A guerra durou cerca de vinte dias e terminou, em grande parte, por conta de um cessar-fogo realizado pela ONU, pelos EUA e pela Rússia, que havia ameaçado intervir no conflito ao lado dos sírios.

Mesmo sendo uma guerra de curta duração, ela trouxe diversas consequências para o Sistema Internacional. O principal resultado do conflito foi o boicote que os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fizeram às nações que apoiaram Israel, ocasionando um aumento nos preços dos barris de petróleo. Esse boicote gerou o que ficou conhecido como Primeira Crise do Petróleo, com a queda das bolsas de valores e no desenvolvimento de uma crise no capitalismo. Ademais, a guerra deu visibilidade à situação da Palestina, informando ao mundo que milhares de palestinos estavam sendo deslocados de suas terras pelos israelenses.

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Sobre o Autor

Editora assistente e pesquisadora na linha de segurança internacional da Revista Relações Exteriores. Futura analista de Relações Internacionais pela IBMR. Núcleo de Pesquisa Maria Rebello Mendes (NUPREM-IBMR).

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