Pensando as Parcerias Estratégicas nas Relações Internacionais

Uma das questões mais decorrentes no estudo das Relações Internacionais é: por que os atores internacionais cooperarem entre si. Por que países tão diferentes fazem parcerias? Antes de responder este questionamento, é oportuno entender o termos parceria estratégica. Trarei aqui algumas visões acerca do tema, para depois entender porque os países cooperam e quais as vantagens e desvantagens de uma parceria.

De acordo com o estudo de Silva (2007:5), o termo parceria estratégica foi introduzido no período contemporâneo a partir de meados dos anos de 1980, com o desenvolvimento tecnológico e econômico mundial guiado pelo processo de globalização. Em resposta a tais mudanças, empresas passaram a se agrupar em alianças estratégicas para sobreviverem no mercado globalizado, um período marcado por fusões e aquisições.

Se antes a parceria estratégica designava uma resposta das empresas ao mundo globalizado e era um instrumento de uso militar na condução dos conflitos internacionais, com o passar do tempo, passou-se a fazer parte da política externa, com vistas a alcançar vantagens em diferentes setores considerados estratégicas.

No entanto, a conceituação do termo não se apresenta clara e objetiva, propiciando questionamentos diversos sobre a pertinência de seu uso.

Para Porto de Oliveira (1996:15), parceria estratégica implica na “convergência de esforços de dois (ou mais) países, com vistas à concretização de objetivos políticos e comuns, em geral, num quadro de jogo de poder internacional”.

Já para Becard (2008:18), uma parceria estratégica representa “um comprometimento de longo prazo entre dois atores importantes para o estabelecimento de uma estreita relação entre um número significante de áreas”

O professor de Relações Internacionais, Henrique Altemani, não considera a parceria estratégica como uma aliança de apoio irrestrito e de não divergências entre os atores como seria uma estratégia de alinhamento automático. Sobre o assunto destaca,

A parceria estratégica induz ao consenso de que cada um tem e mantém seus interesses próprios, mas que alguns desses interesses são comuns, sendo que a parceria é um meio para se atingir uma concertação, cooperação maior nos assuntos em questão, ou de forma mais precisa na prática, para a geração de melhores condições para o desenvolvimento (Altemani, 2012:100).

Mas como todo relacionamento, a parceria apresenta vantagens e desvantagens. Consumar um acordo e sustentá-lo até o final é uma tarefa árdua. Sobre esse ponto, Silva (2007:2-3) apresenta alguns benefícios e os riscos inseridios em parceria uma parceria:

  • Constituem benefícios da parceria: o compartilhamento dos custos, o acesso à experiência, tecnologia e instalações; reforço político para o projeto/programa; cria ou estreita boas relações; exerce influência sobre os parceiros e funciona como efeito demonstração de liderança.
  • Os riscos em cooperar são: a perda de liberdade de ação, com a criação de dependências, além do incremento da complexidade gerencial. Riscos políticos se a cooperação falhar; transferência “indesejada” de tecnologia sensível pela comunicação muito pessoal e, ainda, ajuda involuntária em criar ou fortalecer futuros competidores.

Em seu estudo, Silva (2007:5) ainda destaca alguns pré-requisitos para que parcerias sejam bem sucedidas: a escolha dos parceiros, a definição conjunta do tema da pesquisa ou do projeto; a divisão de trabalho; os objetivos a serem alcançados; as condições materiais e intangíveis de cada membro; comprometimento de Chefes de Estado; confiança e respeito dos parceiros; cumprimento dos objetivos comuns e de tudo que foi acordado entre eles.

Após essa contextualização, podemos então responder ao questionamento inicial: porque países tão diferentes fazem parceria?

A parceria estratégica tem sido utilizada nas políticas externas dos Estados, a fim de alcançar seu desenvolvimento nacional, interesses externos, desenvolver e impulsionar atividades conjuntas. Talvez sejam, as diferenças e diversidades, que aproximam dois ou mais países cooperarem entre si. Utilizando-se da diplomacia e das vantagens comparativas para alcançar objetivos e interesses mútuos, que isoladamente talvez não alcancariam.

Contudo deve haver um cuidado no uso do termo para que não seja tomado de forma romântica, alimentando de expectativas exageradas, levando a vulgarização do termo. O presente artigo não considera parceria estratégica como relações do tipo alinhamento automático ou aliança institucional, mas como um meio político estratégico utilizado pelos países para atingir uma cooperação mais sólida em áreas específicas, de interesse mútuo e para o desenvolvimento nacional.

SUGESTÃO DE LEITURAS

ALTEMANI, Henrique (2012). Brasil e China: cooperação Sul-Sul e parceria estratégica. Belo Horizonte: Fino Traço.

BECARD, Danielly Silva Ramos. (2008). O Brasil e a República Popular da China: política externa comparada e relações bilaterais (1974-2006). Brasília: FUNAG.

PORTO de OLIVEIRA, Amaury. (1996). “O projeto da China”. In: Caderno de Premissas. n.13. ago. p.14-20.

SILVA, Darly Henriques da. (2007). “Cooperação internacional em ciência e tecnologia: oportunidades e riscos”. Revista Brasileira de Política Internacional. 50 (1). p. 5-28.

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