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Europa e América Latina no meio da guerra tarifária de Trump Europa e América Latina no meio da guerra tarifária de Trump

Europa e América Latina no meio da guerra tarifária de Trump

Foto por The White House. Via Wikicommons. (Domínio público)

Periodicamente, o comércio mundial passa por fases de reajuste que, nos primeiros estágios, trazem desespero e desgraças até que finalmente se estabilizam. À espera desse momento, as tensões comerciais impulsionadas pela administração Trump estão redefinindo as dinâmicas do comércio global.

A imposição de tarifas pelos Estados Unidos já afeta todos os países, embora com intensidade diferente, e punindo com percentuais maiores seus parceiros comerciais, os países que considerou mais hostis em termos comerciais.

Diante desse cenário, os atores internacionais precisam repensar suas estratégias comerciais.

Deriva tarifária

Enquanto o protecionismo americano avança, os demais países devem buscar oportunidades na reconfiguração obrigatória do comércio global. A União Europeia, que havia conseguido negociar com a administração Biden um regime tarifário preferencial, enfrenta agora a imposição de tarifas de 20%.

Já no início de 2025, com os primeiros anúncios tarifários da nova administração americana, o Parlamento Europeu denunciava a deriva de Trump para uma guerra comercial com consequências imprevisíveis para os Estados da UE e seus cidadãos.

Consolidar acordos

Um contrapeso aos efeitos da guerra comercial pode ser a tentativa de avançar na assinatura e modernização de acordos comerciais entre Europa e América Latina. No dia 17 de janeiro passado, a União Europeia e o México concluíram a modernização de seu Acordo Global, vigente desde 2000. Um passo importante na evolução das relações comerciais.

Há também o Acordo Econômico e Comercial Global (CETA) com o Canadá, em vigor provisoriamente desde setembro de 2017.

O acordo assinado com o Mercosul no final de 2024 e o alcançado com o México consolidam o nexo estratégico Europa-América Latina e deveria reduzir a exposição de ambas as regiões a um número limitado de mercados, incluindo o americano.

Nesse contexto, a Comissão Europeia apresentou no dia 29 de janeiro sua estratégia “Bússola para a Competitividade“, projetada para fortalecer a posição da UE na economia global.

Para as empresas espanholas, isso representa uma oportunidade para diversificar mercados e se expandir em setores estratégicos como o manufatureiro e o agroalimentar. No entanto, a rapidez na ratificação e assinatura de acordos será determinante para evitar que outros atores globais levem vantagem.

Instabilidade bursátil

A volatilidade nos mercados europeus provocada pela escalada de anúncios tarifários impactou principalmente empresas com orientação exportadora.

A aplicação de tarifas afetará setores estratégicos para a economia espanhola – como automotivo e agroalimentar – e exportações-chave: componentes automotivos (chassis, caixas de câmbio, sistemas de freio etc.), vinho, azeite de oliva e produtos suínos.

Afetados pelas tarifas

Canadá e México observam com atenção as mudanças no comércio global e regional provocadas pela guerra comercial e a instabilidade do acordo USMCA (Estados Unidos-Canadá-México), que substituiu o NAFTA em 2020.

Enquanto México e Canadá redefinem sua relação com os Estados Unidos, os países latino-americanos devem tentar consolidar sua posição no tabuleiro do comércio internacional e não cair em uma dependência excessiva da China.

O Brasil, por exemplo, intensificou sua diplomacia comercial para se consolidar em setores estratégicos como agronegócio, biocombustíveis e mineração, enquanto o bloco BRICS+, do qual é membro fundador, busca reconfigurar as regras do comércio internacional em favor do Sul Global.

O impacto das tensões comerciais afetaria especialmente o setor agrícola e o manufatureiro por sua dependência de mercados específicos (principalmente Estados Unidos e China), o que acarreta riscos.

Esse cenário deveria levar a UE a se consolidar como parceiro estratégico da América Latina nas indústrias manufatureiras, energéticas e agroalimentares, diversificando mercados e reduzindo sua vulnerabilidade.

Incerteza global

As tarifas universais anunciadas por Trump violam os princípios estabelecidos na Rodada de Tóquio do GATT de 1979, que concediam aos países em desenvolvimento um tratamento diferenciado, com acesso preferencial e reduções tarifárias sem exigir reciprocidade.

A violação desses acordos multiplica a incerteza global, lança economias frágeis ao abismo, aumenta o risco de retaliações e corrói a confiança no sistema multilateral de comércio.

Diante desse panorama, a UE e a América Latina devem agir com pragmatismo, equilibrando flexibilidade e firmeza para proteger suas economias em um ambiente particularmente volátil e hostil. A história está sendo escrita com decisões que definirão o rumo das próximas gerações, e a margem para erro é mínima.

Texto traduzido do artigo Europa y Latinoamérica en medio de la guerra arancelaria de Trump, de Armando Alvares Garcia Júnior publicado por The Conversation sob a licença Creative Commons Attribution 3.0. Leia o original em: The Conversation.

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