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Segurança econômica: por que ela está redefinindo o comércio internacional no século XXI

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1. Introdução

Durante boa parte das últimas décadas, o comércio internacional operou sob uma lógica amplamente aceita: produzir onde fosse mais eficiente, adquirir insumos onde custassem menos e distribuir por cadeias globais altamente integradas. Esse modelo favoreceu a especialização produtiva, aprofundou a interdependência entre países e sustentou uma expansão expressiva dos fluxos comerciais. Na prática, decisões empresariais e políticas públicas convergiam para um mesmo horizonte: reduzir custos, explorar vantagens comparativas e tratar a abertura comercial como instrumento de crescimento.

Esse paradigma começou a perder sua aparência de estabilidade quando crises sucessivas expuseram o risco de concentrar etapas críticas da produção em poucos países e fornecedores. A pandemia de COVID-19 interrompeu simultaneamente fábricas, transportes e o fornecimento de insumos essenciais. Dados da Organização Mundial do Comércio mostram que o volume do comércio mundial de mercadorias caiu 5,3% em 2020 e se recuperou 9,8% em 2021 (WTO, 2022). Em seguida, disputas tecnológicas, sanções e restrições comerciais reforçaram uma percepção que passou a orientar governos e empresas: eficiência, sozinha, não garante continuidade operacional. A partir daí, diversificação, regionalização parcial e gestão estruturada de riscos deixaram de ser medidas excepcionais e passaram a integrar a estratégia.

É nesse ambiente que a segurança econômica ganha centralidade. Neste artigo, o conceito é entendido como a capacidade de um país preservar o funcionamento de setores estratégicos, assegurar acesso a bens e tecnologias essenciais e reduzir dependências capazes de comprometer seu desenvolvimento ou sua segurança nacional. Não se trata apenas de defesa. Trata-se de reconhecer que decisões de comércio, investimento, tecnologia e política industrial também podem ampliar ou reduzir vulnerabilidades.

Grande parte da literatura sobre geoeconomia concentra-se nos acontecimentos que aceleraram essa mudança — a pandemia, a rivalidade entre Estados Unidos e China, a guerra na Ucrânia e o uso crescente de sanções. Minha análise parte de outro ponto: mais importante do que listar os choques é compreender como eles alteraram os critérios de decisão. A pergunta central, portanto, é por que a segurança econômica passou a influenciar escolhas comerciais que, durante décadas, foram guiadas predominantemente pela eficiência.

A hipótese defendida é que os riscos não são propriamente novos; novo é o peso que passaram a receber. Eficiência, produtividade e competitividade permanecem fundamentais, mas agora convivem de forma permanente com continuidade do abastecimento, diversificação, autonomia tecnológica e exposição geopolítica. O objetivo é mostrar como essa mudança redefine tanto a formulação de políticas públicas quanto as estratégias empresariais. Ao deslocar o foco dos eventos para os critérios de decisão, o artigo procura oferecer uma leitura integrada das transformações que vêm remodelando o comércio internacional.

Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e teórico-analítica, apoiada em bibliografia sobre economia política internacional, geoeconomia e cadeias globais de valor. A análise também utiliza estratégias governamentais, atos normativos e relatórios de organismos multilaterais. Essas fontes permitem acompanhar a ampliação do conceito de segurança econômica e observar como ele aparece, na prática, em decisões sobre tecnologia, abastecimento, produção e comércio. Os quatro estudos de caso apresentados adiante funcionam como evidências dessa transformação.

2. A evolução do conceito de segurança econômica

A preocupação dos Estados com interesses econômicos estratégicos não é recente. Tarifas, subsídios, restrições e incentivos à produção doméstica sempre foram utilizados para proteger setores considerados essenciais. A novidade está menos na existência dessas medidas e mais na amplitude que a segurança econômica adquiriu e na posição central que passou a ocupar nas políticas públicas.

No pós-Segunda Guerra, o sistema multilateral de comércio foi construído sobre a expectativa de que a integração econômica produziria benefícios mútuos e tornaria rupturas mais custosas. Essa visão sustentou décadas de liberalização, acordos comerciais e fragmentação internacional da produção. Quanto maior a interdependência, acreditava-se, maior seria o incentivo à cooperação e menor o espaço para conflitos capazes de interromper os fluxos econômicos.

O mesmo desenho que gerou eficiência, entretanto, também ampliou a exposição a riscos sistêmicos. A concentração de insumos estratégicos em poucos países e a adoção de estoques mínimos reduziram a margem de reação diante de choques. A pandemia tornou essa fragilidade impossível de ignorar: a escassez de equipamentos médicos, semicondutores e fertilizantes mostrou que uma cadeia pode ser extremamente eficiente em condições normais e, ainda assim, pouco preparada para uma crise. Conflitos, sanções e restrições à exportação de tecnologias sensíveis reforçaram essa conclusão.

A partir daí, segurança econômica deixou de significar apenas proteção contra crises financeiras. O conceito passou a abranger abastecimento de bens essenciais, proteção de infraestruturas críticas, preservação de setores estratégicos e fortalecimento da autonomia tecnológica. Na minha leitura, essa ampliação revela uma reaproximação entre economia e geopolítica. Comércio, investimento e inovação já não podem ser analisados apenas por seus efeitos sobre preços e produtividade, porque também podem funcionar como instrumentos de influência e pressão entre Estados. Blackwill e Harris (2016) mostram como recursos econômicos se tornaram elementos centrais da estratégia estatal; Farrell e Newman (2023), por sua vez, explicam como redes financeiras, tecnológicas e logísticas podem ser utilizadas de forma coercitiva.

É nesse contexto que friendshoring, nearshoring, reshoring e diversificação de fornecedores ganham relevância. À primeira vista, parecem apenas ajustes logísticos. Na prática, representam uma mudança mais profunda: a tentativa de equilibrar eficiência e resiliência. O fornecedor mais barato pode deixar de ser a melhor escolha quando está localizado em uma região politicamente instável, exposta a sanções ou sem alternativas de substituição. A ascensão da segurança econômica não elimina os fundamentos tradicionais do comércio; ela acrescenta variáveis que antes ocupavam posição secundária.

3. A transformação dos critérios de decisão

As mudanças recentes não alteraram somente o ambiente das operações internacionais. Elas modificaram a lógica utilizada para decidir. O ponto central não é o aparecimento de riscos, mas o reconhecimento de que eles precisam ser incorporados de forma sistemática às escolhas de comércio e investimento.

Durante décadas, decisões de importação, exportação, internacionalização da produção e seleção de fornecedores foram orientadas sobretudo por custo, produtividade, eficiência logística e acesso a mercados. Esse modelo produziu ganhos importantes, mas também criou cadeias complexas, longas e fortemente dependentes de alguns pontos críticos. Quanto maior a fragmentação, maior a possibilidade de uma interrupção localizada produzir efeitos em diversos países e setores.

A consequência é direta: o custo de aquisição passou a ser comparado ao custo potencial de uma interrupção. Empresas começaram a considerar com mais atenção a confiabilidade dos fornecedores, a estabilidade política do país de origem, a segurança das rotas, a exposição a sanções e a existência de fontes alternativas. Essa mudança é especialmente visível em semicondutores, minerais críticos, medicamentos, fertilizantes e componentes da transição energética, setores nos quais a falta de um único insumo pode comprometer cadeias inteiras.

Por isso, práticas antes tratadas como exceção — diversificação de fornecedores, estoques estratégicos, nearshoring, friendshoring e reshoring — passaram a fazer parte da gestão permanente de riscos. Não interpreto esse movimento como o fim da globalização. O que está em curso é uma reconfiguração: a busca por ganhos de curto prazo continua relevante, mas divide espaço com a necessidade de manter operações e abastecimento em cenários adversos. Segurança econômica, portanto, não substitui competitividade; redefine o modo como ela é calculada.

4. A incorporação da segurança econômica nas políticas comerciais

A mudança nas empresas foi acompanhada por transformação equivalente na atuação dos Estados. Diversas economias passaram a tratar a segurança econômica como eixo de suas políticas comerciais, industriais e tecnológicas. Setores antes avaliados principalmente por sua contribuição ao crescimento passaram a ser vistos também por seu impacto sobre soberania, abastecimento e estabilidade nacional.

Essa inflexão ficou mais clara após a pandemia. Nos Estados Unidos, a Executive Order 14017 determinou a revisão de cadeias críticas, entre elas semicondutores, baterias, minerais e produtos farmacêuticos. O CHIPS and Science Act reforçou investimentos na capacidade produtiva doméstica. A União Europeia estruturou sua estratégia de segurança econômica em torno da diversificação, da proteção de tecnologias críticas e da redução de dependências excessivas. O Japão adotou caminho semelhante, ampliando incentivos à produção interna e à resiliência industrial. Embora os instrumentos variem, o objetivo comum é diminuir a vulnerabilidade em setores considerados essenciais.

Há, portanto, uma mudança de prioridade. Em vez de buscar apenas o ganho imediato de eficiência, governos passaram a avaliar se suas economias conseguem resistir a interrupções e preservar capacidades estratégicas. Isso não significa, necessariamente, retorno ao protecionismo clássico. Em muitos casos, a meta é compatibilizar abertura e resiliência. O resultado é uma aproximação crescente entre política comercial, política industrial, tecnologia e defesa, movimento que também aparece na renovação do debate sobre política industrial contemporânea (Juhász; Lane; Rodrik, 2024).

4.1 Quatro estudos de caso

Os quatro casos a seguir mostram como essa lógica se manifesta em setores muito diferentes. Em todos eles, uma vulnerabilidade exposta por crises ou tensões geopolíticas levou governos e empresas a rever decisões produtivas e comerciais. O padrão se repete: quando a dependência ameaça continuidade, a segurança econômica passa a influenciar escolhas antes determinadas principalmente por custo.

4.1.1 Semicondutores: a segurança tecnológica como prioridade estratégica

Semicondutores estão presentes em automóveis, sistemas de defesa, telecomunicações, equipamentos médicos e inteligência artificial. Essa centralidade contrasta com uma produção altamente concentrada. Segundo a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, Taiwan responde por cerca de 92% da capacidade mundial de fabricação dos chips mais avançados (USITC, 2024). A escassez durante a pandemia paralisou linhas de produção e mostrou que a concentração pode transformar eficiência em vulnerabilidade. Os incentivos à produção doméstica, à pesquisa e à diversificação do fornecimento refletem uma escolha política clara: aceitar custos maiores em troca de autonomia tecnológica e maior segurança.

4.1.2 Minerais críticos e terras raras: dependência estratégica e competição geoeconômica

Os minerais críticos ilustram o mesmo problema. Eles são indispensáveis para baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa, mas o processamento permanece concentrado em poucos países. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a China respondeu por 91% da produção mundial de terras raras refinadas em 2024 (IEA, 2025). Essa dependência ganha importância diante de disputas geopolíticas e restrições comerciais. Por isso, diferentes economias passaram a incentivar mineração, processamento, reciclagem e novas fontes de fornecimento. Nessas decisões, reduzir vulnerabilidades passou a pesar tanto quanto obter o menor custo.

4.1.3 Fertilizantes e medicamentos: cadeias essenciais à estabilidade social

Fertilizantes e medicamentos aproximam a segurança econômica da vida cotidiana. A dependência de fertilizantes importados tornou-se especialmente sensível quando conflitos e restrições comerciais elevaram custos agrícolas e pressionaram os preços dos alimentos. No caso dos medicamentos, a concentração da produção dificultou o acesso a insumos no momento de maior demanda. Em ambos os casos, governos passaram a considerar produção nacional, estoques estratégicos e diversificação de fontes. A razão é simples: quando uma cadeia sustenta saúde pública ou segurança alimentar, sua avaliação não pode se limitar à eficiência financeira.

4.1.4 Agronegócio e segurança alimentar: uma nova dimensão do comércio

O agronegócio talvez seja o exemplo mais abrangente. Tradicionalmente analisado por produtividade e vantagens comparativas, passou a ser tratado também como componente da segurança alimentar. Restrições temporárias às exportações, gargalos logísticos, eventos climáticos extremos e volatilidade no mercado de fertilizantes mostraram que o fornecimento de alimentos é uma questão estratégica. A FAO (2024) chama atenção para a persistência dos riscos que afetam a segurança alimentar global. Nesse cenário, diversificação de mercados, capacidade de armazenamento, previsibilidade logística e estoques ganham importância. Para o Brasil, grande exportador de alimentos, o desafio é preservar competitividade sem ignorar a segurança do abastecimento e a sustentabilidade das cadeias.

Os quatro casos conduzem à mesma conclusão: segurança econômica não se restringe à alta tecnologia. Ela alcança mineração, saúde, agricultura e logística. Em todos esses setores, eficiência continua necessária, mas deixa de ser suficiente quando a continuidade do abastecimento e a exposição estratégica entram em jogo.

5. Impactos para empresas e profissionais de Comércio Internacional

A incorporação da segurança econômica vai além dos governos. Ela também redefine a forma como as empresas se internacionalizam e o perfil dos profissionais de Comércio Internacional. Durante muito tempo, a gestão da área esteve concentrada em custo, prazo, negociação e otimização logística. Esses objetivos continuam válidos, mas já não respondem sozinhos à complexidade atual.

Tensões geopolíticas, rupturas mais frequentes e o uso de instrumentos econômicos como pressão política exigem uma análise mais ampla. Antes de escolher um fornecedor, não basta comparar preço, qualidade e prazo. É preciso observar localização, estabilidade política, exposição a sanções, dependência regional e alternativas disponíveis. Em muitos casos, a opção mais barata pode ser a mais arriscada no longo prazo. O mesmo raciocínio vale para mercados de destino: uma oportunidade comercial atraente pode perder prioridade quando impõe riscos regulatórios, logísticos ou geopolíticos excessivos.

Nesse cenário, o profissional de Comércio Internacional assume uma função mais estratégica. Ele deixa de ser apenas executor de processos aduaneiros e passa a produzir informação para decisões sobre competitividade, continuidade do abastecimento e risco corporativo. Isso exige integração com compras, logística, planejamento, compliance e inteligência de mercado. Conhecimentos técnicos como classificação fiscal, regimes aduaneiros, acordos comerciais e negociação continuam indispensáveis. O diferencial está em conectá-los à leitura de cenários, à prevenção de riscos e à capacidade de propor alternativas antes que a crise aconteça. É nesse ponto que a segurança econômica reposiciona a área dentro das organizações.

6. Perspectivas para o futuro

A incorporação da segurança econômica tende a permanecer. A pandemia e os conflitos recentes aceleraram o processo, mas seus principais vetores continuam ativos: competição tecnológica, disputa por minerais críticos, transição energética e eventos climáticos extremos. Ao mesmo tempo, não há sinais de desaparecimento do comércio global. O que se observa é uma globalização mais seletiva, diversificada e politicamente condicionada. Os custos de uma fragmentação desordenada, contudo, seriam elevados. Estimativas do FMI indicam que cenários severos de fragmentação geoeconômica poderiam reduzir o produto global em até 7% no longo prazo (Aiyar et al., 2023).

As cadeias globais provavelmente evoluirão para modelos híbridos, combinando eficiência com múltiplas fontes de abastecimento, maior diversificação geográfica e mecanismos mais robustos de gestão de riscos. Não se trata de substituir a globalização, mas de torná-la menos vulnerável. Governos deverão ampliar o apoio a setores estratégicos, enquanto empresas recorrerão cada vez mais a tecnologias de rastreabilidade, monitoramento de fornecedores e simulação de cenários. O desafio será evitar que a busca legítima por segurança produza fragmentação excessiva e custos capazes de enfraquecer o próprio comércio. Isso torna a cooperação internacional tão importante quanto a proteção de interesses nacionais.

7. Considerações finais

A ascensão da segurança econômica não rompe com os princípios históricos do comércio internacional. Eficiência, competitividade, especialização e integração continuam sendo pilares da economia mundial. A mudança está na ampliação dos critérios utilizados para decidir. Resiliência, continuidade operacional, diversificação de fornecedores e mitigação de riscos estratégicos passaram a integrar escolhas que antes eram orientadas quase exclusivamente por custos e produtividade.

Ao longo do artigo, procurei demonstrar que a transformação mais relevante não está apenas nos novos riscos, mas no modo como governos e empresas passaram a avaliá-los. O custo continua importante, porém já não é suficiente. Confiabilidade dos fornecedores, estabilidade geopolítica, capacidade de substituição e autonomia tecnológica tornaram-se variáveis permanentes. Os quatro estudos de caso mostram que essa mudança não pertence a um único setor nem responde a um choque isolado. Dos semicondutores ao agronegócio, o movimento em direção à resiliência revela um padrão estrutural.

A resposta à pergunta de pesquisa é direta: a segurança econômica passou a influenciar decisões antes guiadas pela eficiência porque o custo da interrupção tornou-se tão importante quanto o custo da aquisição. Essa é a principal contribuição do artigo. Segurança econômica não deve ser entendida como negação dos fundamentos do comércio, mas como um elemento que amplia e redefine a decisão estratégica. Na prática, essa mudança também reposiciona o Comércio Internacional dentro das organizações, aproximando a área da gestão de riscos, da inteligência de mercado e da construção de cadeias mais resilientes.

Este estudo tem limitações próprias de uma análise teórico-analítica. O objetivo foi compreender a evolução do conceito e seus reflexos sobre decisões, sem realizar investigação quantitativa ou estudos empíricos aprofundados. Pesquisas futuras poderão criar indicadores de resiliência, comparar estratégias nacionais e medir os efeitos das políticas de segurança econômica sobre competitividade e custos. Ainda assim, uma conclusão já se impõe: em um ambiente de interdependência e volatilidade geopolítica, compreender segurança econômica deixou de ser apenas um exercício acadêmico. Tornou-se condição para formular políticas públicas e estratégias empresariais capazes de sustentar o comércio em cenários de incerteza.

Referências

AIYAR, Shekhar et al. Geoeconomic Fragmentation and the Future of Multilateralism. IMF Staff Discussion Note SDN/2023/001. Washington, D.C.: International Monetary Fund, 2023.

BLACKWILL, Robert D.; HARRIS, Jennifer M. War by Other Means: Geoeconomics and Statecraft. Cambridge: Harvard University Press, 2016.

EUROPEAN COMMISSION. European Economic Security Strategy. Brussels: European Commission, 2023.

FARRELL, Henry; NEWMAN, Abraham L. Underground Empire: How America Weaponized the World Economy. New York: Henry Holt, 2023.

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JUHÁSZ, Réka; LANE, Nathan; RODRIK, Dani. The New Economics of Industrial Policy. Annual Review of Economics, v. 16, p. 213–242, 2024.

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RODRIK, Dani. The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy. New York: W. W. Norton, 2011.

STRANGE, Susan. States and Markets. 2. ed. London: Pinter Publishers, 1994.

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WORLD TRADE ORGANIZATION (WTO). World Trade Statistical Review 2022. Geneva: WTO, 2022.

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Pamella Gite Ribeiro é especialista em Comércio Internacional, bacharel em Administração com ênfase em Comércio Exterior pela Universidade São Judas Tadeu de São Paulo e especializada em Global Business Management pela UCLA (University of California, Los Angeles). Possui mais de 10 anos de experiência em operações internacionais, com atuação em importação, exportação, logística internacional e gestão de supply chain.

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