Curso de Política Externa Chinesa
Modo Escuro Modo Luz
Inteligência artificial e direitos digitais: mediação, visibilidade e poder na circulação da informação científica
INFLUÊNCIA CULTURAL E RELAÇÕES DE PODER NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: A HEGEMONIA E DOMINAÇÃO DA BURGUESIA CULTURAL
2 men playing basketball in grayscale photography 2 men playing basketball in grayscale photography

INFLUÊNCIA CULTURAL E RELAÇÕES DE PODER NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: A HEGEMONIA E DOMINAÇÃO DA BURGUESIA CULTURAL

Photo by Sivani Bandaru on Unsplash

1. INTRODUÇÃO

Desde o início da vida humana, iniciou-se também a cultura, algo que conecta os indivíduos e cria um senso de pertencimento em determinado grupo, pessoas ou ações, levando à realização de atividades específicas e diferentes de outros grupos culturais, tornando-se assim algo exclusivo dos seres humanos por serem seres racionais que ao longo do tempo se transforma de forma inconsciente.

Em um contexto geral, para diversos autores, cultura pode ser definida como um conjunto de hábitos, valores, princípios, ideias e ações que são seguidas por um grupo de pessoas, em determinado período, entretanto, na atualidade, o significado de cultura vai além disso. Além do conceito citado, pode ser entendida como um estilo de vida seguido por duas ou mais pessoas, idiomas falados por um grupo social, manifestações artísticas envolvendo todos os âmbitos das artes (teatro, música, artes plásticas, dança, cinema e outros) áreas da comunicação como podcasts, rádio, televisão, mídias sociais etc. e variados esportes.  Essas manifestações culturais são consideradas naturais já que, em sua grande maioria, não são planejadas e estruturadas antes de serem seguidas, efêmeras e contínuas ao mesmo tempo, pois podem e vão desaparecer, mas podem manter suas tradições por um longo período. 

Contudo, desde o surgimento e consolidação do Capitalismo, é possível observar que a formação cultural de certas sociedades não tem sido algo completamente natural, sobretudo em sociedades contemporâneas, com o auxílio do capitalismo tardio (JAMESON, 1991), se tornando cada vez mais clara uma divisão de pequenos grupos – geralmente pessoas e instituições com forte poder econômico, político e social – que possuem uma capacidade de influenciar culturas de grandes sociedades – que não têm poder econômico ou político – por meios artísticos e de comunicação e, até mesmo, por meio de ideias e hábitos a fim de promover interesses e vontades próprias que irão, de alguma forma, favorece-los, nos quais serão denominados, neste texto, por Junior Dias, como Burguesia Cultural. 

A partir desse conceito inicial, este estudo busca responder o questionamento: “De que forma a burguesia cultural influencia a sociedade e o quão importante é essa influência?”. Ademais, tem a finalidade de entender as relações entre as classes sociais no tecido social, produção, consumo, política e economia, mostrando a necessidade de um vínculo entre eles que auxilia no fortalecimento do capitalismo e das desigualdades, notando uma manipulação e perda de autonomia cultural das sociedades. 

2. METODOLOGIA 

Para a construção do presente estudo, utilizou-se em sua metodologia a abordagem qualitativa para analisar e compreender as atuais relações de poder e manipulação por meio da cultura, interpretando teorias e conceitos. O objetivo possui caráter exploratório, pois busca ampliar as discussões sobre o termo entendido nesta pesquisa como “burguesia cultural”.  Por fim, aplicou-se o procedimento bibliográfico, servindo-se de fontes secundárias como livros, artigos e clássicos e contemporâneos de áreas como Sociologia e Ciências Sociais, analisando e relacionando estudos, ideias e conceitos com as atuais relações de poder e dominação, nas quais, grupos burgueses da sociedade, utilizam instrumentos culturais como principal ferramenta para controle social e exercício da dominação de grupos carentes de poder financeiro, cultural, político e social. 

Foram selecionados como principais fontes teóricas, autores como Karl Marx, Max Weber, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Antonio Gramsci, escolhidos por sua contribuição sobre hegemonia, dominação e influência cultural, não excluindo o uso de outras obras e ideias de demais autores citados no corpo da pesquisa e listados na seção de referências, com importantes contribuições para este texto e para a sociedade.

Apesar da vasta diversidade de obras como base de pesquisa, há limitações neste estudo por não haver estudos empíricos e estudos de caso, mantendo-se apenas na esfera teórica. 

Ademais, parte-se da hipótese de que pequenos grupos com maior poder político, econômico, social e cultural, exercem hegemonia e dominação por meio da cultura e manifestações culturais e artísticas sobre grupos sociais, que possuem menor acesso e poder financeiro, político e cultural. Dessa forma, esta análise possui foco apenas em sociedades capitalistas contemporâneas.

3. MANIFESTAÇÕES CULTURAIS COMO O “NOVO ÓPIO DO POVO”

As manifestações culturais presentes nas diversas sociedades ao longo do tempo possuem funções extremamente importantes, tanto para o sentimento de pertencimento naquela sociedade, quanto para a expressão de sentimentos na qual, o homem usa para espairecer, contar histórias, passar o tempo e mostrar o que sente sem necessariamente o uso palavras. 

Por outro lado, com a consolidação do capitalismo industrial, as pessoas passaram a trabalhar de 12 a 16 horas por dia em tarefas repetitivas e cansativas. De maneira semelhante, mesmo depois de séculos após a primeira Revolução Industrial e da constituição de leis trabalhistas e sindicatos, os trabalhadores ainda passam grande parte do seu dia em seu trabalho – de acordo com Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT) – e, embora, com o avanço tecnológico, cargos com funções repetitivas tenham diminuído, ainda existem e não extingue o fato de que pessoas permanecem em atividades relacionadas a seus empregos (transporte, ligações etc.) mesmo depois do fim de sua jornada de trabalho diária ou semanal, reforçando seu cansaço físico e mental.

Dessa forma, a classe trabalhadora busca por atividades culturais, como cinema, música, atrações e atividades de lazer e esportes, com o objetivo de descansar e se distrair para tentar tirar o foco de seus trabalhos e deixar a vida mais leve, como uma espécie de fuga e anestésico para amenizar os efeitos da exploração de sua mão de obra – um exemplo marcante na sociedade brasileira é o futebol, churrasco e consumo de bebidas alcóolicas no final de semana, considerados dias de descanso (DUNNING, 2013) – , que, para Marx, seria apenas a religião em sua escrita “a religião é o ópio do povo” (MARX, 1843). Assim, tornando a cultura como uma espécie de ópio do povo, abrangendo mais áreas além da religião e não sendo algo totalmente negativo (assim como na percepção original de “Ópio do Povo” de Marx que normalmente é entendido como algo completamente negativo e denominando-o como “inimigo das religiões”) mas algo que ajuda na estruturação e no fortalecimento de culturas, auxiliando o vínculo interpessoal.

Tal processo ocorre, pois, com a propagação de sentimentos compartilhados em uma sociedade, há a consolidação da cultura, explicada por Émile Durkheim por meio da Consciência Coletiva, que se define pelas crenças ou sentimentos compartilhados em uma sociedade (DURKHEIM, 1893, p. 50).Também, aumenta a identidade coletiva, fazendo com que os indivíduos passem de se entenderem como apenas um ser para se entenderem como um coletivo (DURKHEIM, 1893), além de legitimar as relações de poder e dominação, pois os trabalhadores começam a se identificar inconscientemente como classe dominada pelos chefes e empregos, destaca-se que, essa autoidenficação não se trata da formação de uma consciência de classes mas sim da identificação inconsciente de uma situação de exercício do poder da burguesia e falta de poder da classe trabalhadora, comum no tecido social brasileiro, especialmente com o ditado popular “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, ressaltando, além do poder, a dominação tradicional imposta pelos donos dos meios de produção por século assim como a dominação legal assegurada pela própria legislação.

4. RACIONALIZAÇÃO DA CULTURA

Com o tempo, a burguesia passou a entender que manifestações culturais são parte essencial da sociedade e que são fundamentais para que os trabalhadores se mantenham subordinados a exploração burguesa sem algum tipo de revolta ou revolução (ADORNO; HORKHEIMER, 1947) semelhante a revolução iniciada pela burguesia em 1789 (Revolução Francesa) visto que as expressões culturais se tornaram o “novo ópio do povo”, e um facilitador para garantia da exploração, uma vez que, as expressões populares se tornariam o suficiente para alegria e descanso da população que assegura a produção de modo semelhante ou melhor que anterior esse breve período de descanso (GRAMSCI, 1948). Isto significa que a burguesia passou a ter consciência de que a cultura é o remédio do povo, sem deixar que a classe trabalhadora tenha acesso a esse conhecimento, consegue, assim, usá-lo como instrumento para aumentar a influência e controle burguês sobre os trabalhadores. 

Com isso, inicia-se, o uso da cultura como meio para intensificar a exploração e manter a burguesia no controle, além de ampliar a margem de lucros, na qual aumenta as desigualdades e o poder e dominação burguesa, isto é, o início da racionalização da cultura. A classe burguesa desenvolve a racionalização cultural de modo que capitaliza a cultura, e busca formas de usar tal característica humana como mais um modo de lucrar, favorecendo-a através de instrumentos ideológicos. Diante disso, surge a burguesia cultura, na qual, atua em diversas áreas visando influenciar, principalmente:

Comportamento: ações que são impostas geralmente por influenciadores digitais, cinema e televisão, usa-se a dominação carismática para manipular e escolher como certa sociedade deve agir, estabelecendo comportamentos e normas sociais que devem ser seguidas e, se caso não forem, existem consequências – diferente de sanções e penalidades -, como a exclusão social de certos grupos que vão contra ou que não seguem tais comportamentos que a própria sociedade impõe. Um exemplo que vem se consolidando na atualidade é a meritocracia ou pensamento meritocrático, é uma ideia e pensamento que provoca o aumento na produção por defender que quanto mais alguém trabalha e se esforça, mais essa pessoa será recompensada financeiramente, não levando em consideração os antagonismos de classes e diferentes oportunidades econômicas e sociais das diferentes classes sociais. Meritocracia é definida pelo pensador contemporâneo brasileiro Mário Sérgio Cortella como: “… Meritocracia é um tema que só tem presença válida quando todos partem do mesmo ponto de igualdade…” citado em programa da Rádio Jovem Pan.

Pensamento: neste tipo de influência, a burguesia cultural utiliza, principalmente, instrumentos como mídias sociais, rádio, televisão, artes plásticas e até mesmo teatro e música para interferir nas escolhas e pensamentos da população, sobretudo em relação a ideologias políticas e sociais, isto é, a dominação ideológica omitida da população para impor ideias e aumentar o controle populacional, desde estabelecer ideias sobre assuntos relacionados a burguesia até mesmo imposições subjetivas para a escolha ou exclusão de um líder político em casos extremos (ALVES, 1962). Um forte exemplo é o uso de cartazes, propagandas televisivas e radialistas e outros instrumentos durante a Guerra Fria, tanto favorecendo o lado capitalista com o “American Way of Life”, quanto favorecendo o lado socialista, defendendo a igualdade e avanços tecnológicos.

Consumo: aqui a burguesia cultural influencia a sociedade para aumentar ou diminuir o consumo de determinados produtos ou áreas econômicas – como objetos, alimentos, séries e filmes na indústria cinematográfica, programas de televisão, músicas, obras de arte ou apenas um desses que auxilia na super produção de todos os outros, mas fazendo referências a um único produto inicial, está diretamente relacionada a indústria cultural (ADORNO; HORKHEIMER,1947), forçando tendências culturais e gerando uma alta demanda e pouca oferta, o que resulta em preços elevados e fomenta a falsa necessidade dos indivíduos em relação a produtos, que em sua maioria, não serão muito utilizados e ocasionalmente esquecidos e, que por sua vez, abrira espaço para outros produtos planejados pela burguesia cultural. Ressalta-se que, nem todos os produtos são propostos pela burguesia cultural, existem aqueles que a própria sociedade cria um vínculo e inicia uma alta demanda gerada pela necessidade de possuir tal produto e a burguesia cultural apenas continua o fluxo econômico. Exemplos de consumo influenciado pela burguesia cultural é a fabricação em massa de produtos relacionados a obras de arte (A pintura Monalisa de Leonardo Da Vinci caso mais famoso de reprodução em massa), brinquedos baseados em filmes e até mesmo filmes e séries da televisão ou plataformas de streaming que possuem continuações prolongadas e diversos tipos de produtos que fazem referências às obras originais.

Desse modo, é progressivamente perceptível a hegemonia cultural (GRAMSCI, 1948) criada, forçada, mantida e exercida pela burguesia cultural para manter sua posição de classe dominante e não dominada, além de ser legitimada pelo Estado por meio da dominação legal (WEBER, 1922) e também, indiretamente validada pela própria classe trabalhadora através da dominação carismática (WEBER, 1922) que muitas vezes cria vínculo com os objetos de dominação burguesa como inspiração em filmes, influenciadores digitais, políticos e outros de modo que reforça a necessidade de manter uma semelhança entres esses instrumentos, ademais, como não possui consciência de classe – também planejada e executada pela burguesia – não consegue se manifestar exercer seu poder (MARX; ENGELS, 1848) ou ter conhecimento de que está sendo manipulada para realizar vontades da classe exploradora e, a posição de classe dominante da burguesia é ainda mais legitimada pelo capitalismo estruturado e consolidado em todos os âmbitos da sociedade moderna por meio dominação tradicional (WEBER, 1922).

Com o fortalecimento da burguesia cultural como grupo hegemônico cultural, além de conseguir explorar ainda mais a classe trabalhadora e fazer com que suas vontades e interesses políticos, econômicos e sociais sejam realizados, aumenta, cada vez mais os antagonismos de classes, auxiliando a burguesia a acumular mais riquezas e enfraquecendo a classe trabalhadora economicamente e, de forma que outros indivíduos ou grupos culturais que se expressam de variadas maneiras, inclusive, contra a hegemonia cultural, por meios culturais, sejam silenciados, oprimidos e dominados para que ajam de acordo com imposições da burguesia cultural e influenciar outros indivíduos da própria sociedade para que também sigam as imposições da burguesia e manter os vínculos exploratórios.

Entretanto, ainda existe um limite de manipulação e dominação da burguesa cultural sobre a sociedade, pois a burguesia entende que da mesma forma que ela se revoltou durante a Revolução Francesa (MARX, 1848), a classe trabalhadora também pode e com auxílio das manifestações e instrumentos culturais a sociedade pode acabar com a hegemonia e dominação imposta pela burguesia cultural, de forma que haja uma quebra na estrutura social, já que, a cultura é um dos instrumentos de luta com mais força, pois é sutil e é aceita pelo senso comum (GRAMSCI, 1948). Além disso, a burguesia cultural, reconhece que sem a sociedade seu poder é ineficaz, porque a camada social é a base das expressões culturais, nas quais a burguesia se apropria para explorar as forças econômicas e produtivas de todo corpo social, portanto, possui certa cautela para que a sociedade não tenha posse do conhecimento de que sua cultura não é totalmente natural, e está sendo influenciada por meios ideológicos e empregada de auxiliar sua própria exploração e aumentar as desigualdades sociais, levando a um limite da hegemonia da burguesia cultural, restringindo os instrumentos de sua dominação. Essa restrição, por sua vez, não é uma diminuição da dominação, apenas um limite invisível no qual pode ser ultrapassado para aumentar ainda mais a margem de lucro da burguesia. 

5. RESPOSTA À INFLUÊNCIA CULTURAL 

Embora a influência da burguesia cultural na sociedade seja intensa, há pequenos grupos que visam lutar contra essa dominação e hegemonia cultural, levando o conhecimento para toda a camada social e principalmente, se manifestando artisticamente contra e há outros grupos a favor da influência. Dessa forma é perceptível que a sociedade não é homogênea, com a existência de diversas culturas dentro de uma só sociedade, algo que complexifica a disseminação da hegemonia cultural pois as diferentes ideias, pensamentos e culturas vão estar em conflito entre si e entre a burguesia cultural, dificultando uma homogeneidade que, por sua vez, é defendia como impossível de existir por Pierre Bourdieu em “O Poder Simbólico”. 

No entanto, para Marx, a sociedade internaliza a influência cultural, pois, além da classe burguesa dominar a economia e os meios de produção, ela também domina as ideias da classe trabalhadora, resultando na defesa dos interesses burgueses pelo tecido social e na normalização da exploração e da dominação (ENGELS; MARX, 1932) mesmo defendendo uma possível consciência de classe que poderia mudar essa perspectiva. Já para Weber, a sociedade pode agir de diversas maneiras em relação a influência cultural legitimada pelo Estado, permitindo a dominação burguesa, podendo aceitá-la, rejeitá-la e até adaptá-la de acordo com seus ideais ou valores, já que a sociedade não é um corpo homogêneo e sim composta por diversos grupos e indivíduos diferentes (WEBER, 1922). Para Gramsci, a sociedade aceita a dominação pois a influência é tão intensa e recorrente por meio das mídias e instituições que os indivíduos a normalizam e apenas agem como se não existisse influência e dominação e, assim como Marx, propõe uma solução que seria a contra hegemonia, ideias e ações para tentar desviar da hegemonia cultural, enfraquecendo-a até diminuir ou ser finalizada (GRAMSCI, 1948), enquanto, para Adorno e Horkheimer, a sociedade adere e contribui para a influência e dominação da burguesia cultural através de seu consumo, uma vez que, por meio da indústria cultural, o consumo é altamente incentivado e o senso crítico é desvalorizado e reduzido, fortalecendo o capitalismo (ADORNO; HORKHEIMER, 1947). 

6. CONCLUSÃO

O presente texto buscou analisar como ocorre a influência da burguesia cultural na sociedade contemporânea, utilizando como base ideias e conceitos de autores como Marx, Weber, Gramsci e outros, para assim, desenvolver uma pesquisa e entender as relações sociais e o exercício de dominação e poder utilizando a cultura como instrumento primordial. Observou-se que as relações de poder inseridas na sociedade estão totalmente relacionadas ao poder econômico e político estruturadas desde o início da posição de classe dominante da burguesia, reforçando os conceitos de dominação legítima, tradicional e carismática que são utilizadas pela burguesia cultural para controlar pensamentos, comportamentos, ideias e o consumo de todo o tecido social por meio das artes e comunicações, nos quais são os instrumentos de dominação utilizados pela burguesia cultural para impor seu interesses e vontades para ampliar seu poder econômico, político e social e se manter com classe dominante e exploratória que se apropria da produção e consumo dos trabalhadores. 

Por reconhecer a cultura como parte essencial dos seres humanos, a burguesia cultural passou a racionalizar a cultura, ou seja, passou a entendê-la como necessidade humana e oportunidade para maior lucro, assim, iniciando-se a capitalização cultural o que leva a superprodução das artes e manifestações culturais, entendida com indústria cultural. Outrossim, por meio da racionalização da cultura, a burguesia passou a exercer um papel hegemônico, utilizando a sociedade como mão de obra para a produção em massa de sua própria cultura e mercado consumidor, criando-se, desse modo, um vínculo sólido e importante com os trabalhadores que passa de algo que apenas aumentaria seus lucros a algo necessário, entretanto, a indústria cultural ainda é entendida como mero instrumento destrutivo de expressões artísticas para o fortalecimento do capitalismo.

Diante disso, a sociedade, em geral, ainda não possui conhecimento e poder para pôr fim nessa dominação cultural, visto que é vítima da exploração e influência ideológica na qual não permite análises críticas e mudanças estruturais, dado que até sua cultura que, a princípio, é algo inconsciente e natural, é manipulada de acordo com as vontades da classe dominante. Com isso, responde-se à pergunta inicial, notando-se que a burguesia cultural influência o comportamento, pensamento e o consumo social e que se torna tão importante que passa a ser um vínculo necessário para a sobrevivência da burguesia cultural e, consequentemente, para a intensificação do capitalismo e ampliação das desigualdades sociais.

REFERÊNCIAS

ADORNO, Theodor W. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, [s.d.]. Disponível em: Indústria Cultural e Sociedade (PDF). Acesso em: 24 jun. 2026.

ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, [s.d.]. Disponível em: Dialética do Esclarecimento (PDF). Acesso em: 23 jun. 2026.

ALVES, Mário. A burguesia nacional e a crise brasileira. Revista Estudos Sociais, v. 4, n. 15, dez. 1962. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/alves/1962/12/burguesia.htm. Acesso em: 31 jul. 2026.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, [s.d.].

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins Fontes, 

1999. Disponível em: Da Divisão do Trabalho Social (PDF). Acesso em: 25 jun. 2026.

DUNNING, Eric. Sociologia do esporte e os processos civilizatórios. Organização de Heloísa Helena Baldy dos Reis. Tradução de Mauro de Campos Silva e Sebastião Nascimento. Introdução de Pedro Paulo A. Funari. São Paulo: Annablume, 2014.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. v. 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, [s.d.]. Disponível em: Cadernos do Cárcere (PDF). Acesso em: 26 jun. 2026.

JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. [S. l.: s. n.], [s. d.]. Disponível em: https://hrenatoh.net/curso/designtec/txt_posmodernidade_jameson.pdf. Acesso em: 3 jul. 2026.

MARTINS, Estevão de Rezende. Cultura e poder. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].

MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. [S.l.]: [s.n.], [s.d.]. Disponível em: Contribuição à Crítica da Economia Política (PDF). Acesso em: 27 jun. 2026.

MARX, Karl. Infraestrutura e superestrutura em Marx. Café com Sociologia, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: Café com Sociologia. Acesso em: 28 jun. 2026.

OLIVEIRA, Samuel Antonio Merbach de. A indústria cultural como instrumento de alienação e dominação na sociedade do espetáculo. Jundiaí: Paco Editorial, 2018.

SCHLESENER, Anita Helena. Hegemonia e cultura. [S.l.]: [s.n.], [s.d.]. Disponível em: Hegemonia e Cultura (PDF). Acesso em: 1 jul. 2026.

SIMIONATTO, Ivete. Expressões ideoculturais da crise capitalista na atualidade e sua influência teórico-prática. [S.l.]: [s.n.], [s.d.]. Disponível em: Expressões ideoculturais da crise capitalista (PDF). Acesso em: 29 jun. 2026.

SINDICATO NACIONAL DOS AUDITORES FISCAIS DO TRABALHO (SINAIT). Pesquisa revela que o excesso de jornada é um mal em expansão. Brasília, DF, 5 jan. 2012. Disponível em: https://www.sinait.org.br/noticia/4660/pesquisa-revela-que-o-excesso-de-jornada-e-um-mal-em-expansao. Acesso em: 31 jul. 2026

UOL ENTRETENIMENTO. Cortella contesta “meritocracia” e diz que foi criticado por gostar de funk. UOL, São Paulo, 16 out. 2019. Disponível em: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/16/cortella-contesta-meritocracia-e-diz-que-foi-criticado-por-gostar-de-funk.htm. Acesso em: 31 jul. 2026..

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, [s.d.]. Disponível em: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (PDF). Acesso em: 30 jun. 2026.

WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1999.

+ posts
Adicionar um comentário Adicionar um comentário

Deixe um comentário

Post Anterior
A robotic hand reaching into a digital network on a blue background, symbolizing AI technology.

Inteligência artificial e direitos digitais: mediação, visibilidade e poder na circulação da informação científica

Advertisement