Dia do Desarmamento Infantil – 15 de abril

Fonte: Michael Jarmoluk via Pixabay
No dia 15 de abril, várias cidades brasileiras promovem campanhas a favor do desarmamento infantil.

No dia 15 de abril, várias cidades brasileiras promovem campanhas a favor do desarmamento infantil. Essa data é celebrada com o propósito não apenas de desarmar, mas também de conscientizar a população sobre o uso de armas por crianças, ainda que sejam de brinquedo, como uma forma de evitar a violência, incidentes domésticos ou escolares onde há situações em que o aluno tira a vida dos próprios colegas e professores.

Esse dia também serve para inspirar decisores políticos, ONGs, e associações comunitárias a implementarem a campanha nacional do desarmamento. O Instituto Sou da Paz (ISDP) já promoveu um projeto social para esclarecer aos jovens sobre os danos no uso das armas de fogo e mostrar a relevância do desarmamento infantil.  Em 2011, o projeto foi realizado em conjunto com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a Guarda Civil Metropolitana, a Subprefeitura de M’boi Mirim, escolas públicas e privadas para lançar a Semana do Desarmamento Infantil de 11 a 15 de abril.

A campanha da Semana foi um sucesso, e teve um impacto bastante positivo sobre os jovens. Alunos dessa região entregaram mais de seis mil artefatos, entre eles, armas de brinquedo, filmes e videogames violentos (INSTITUTO SOU DA PAZ, 2011). Há um debate acerca da exposição de crianças à filmes, jogos e sites que exaltam a violência e o uso de armas. Para Giuliano Martins (2019), ” a persistência na violência e nas armas internaliza a cultura do medo e da violência, o que para uma pessoa com personalidade em desenvolvimento se mostra negativo para um saudável crescimento”.

Essa realidade não é exclusiva de países em desenvolvimento, os EUA, por exemplo,  são conhecidos por sua história de tiroteios em escola, que em média apresentam 57 vezes mais situações do que as outras grandes nações juntas como França, Reino Unido, Canadá, Japão. No Brasil, há também casos  de vítimas do uso de armas por crianças e adolescentes, como os episódios que marcaram Salvador (2002), Taiúva (2003), João Pessoa (2012), São Caetano do Sul (2011), Goiânia (2017), Paraná (2018) e massacres nas escolas de Suzano (2019) e Realengo (2011).

No entanto, o aumento de 183% em relação ao total de novos registros de armas de fogo nos dois primeiros anos do governo de Bolsonaro, e a postura do presidente ao incentivo do porte de armas tem desestabilizado a jornada de conscientização de desarmamento e a cultura de paz. A violência armada é agravada pelo elevado número de armas de fogo em circulação (INSTITUTO SOU DA PAZ, 2011).

Outra realidade brasileira bastante preocupante é o efeito da violência armada sobre as crianças nas favelas. Crianças entre sete e doze anos portando armas são usadas como intermediárias ou olheiras para garantir a atividade do tráfico de drogas. Ainda são expostas diariamente a violência armada entre policiais e traficantes. Uma matéria da Redação Pais e Filhos (2019), mostrou um vídeo em que crianças aparecem com armas de brinquedo e coletes de papelão “brincando” como se fizessem parte de uma facção criminosa. Uma questão que também poderia ser reforçada e levada a discussão nesse dia para abranger respostas dos órgãos públicos.

Um dos pontos para se refletir no Dia do Desarmamento Infantil é como a inserção de armas de fogo, mesmo as de brinquedo, na conduta infantil pode trazer efeitos nocivos e impactar negativamente a vida adulta. Somente privar a criança de se expor a programações que enaltecem armas de fogo, ou terem contato com armas de brinquedo, por sua vez, não evitam totalmente episódios de massacres como esses mencionados acima (MARTINS, 2019).

O Dia do Desarmamento Infantil traz um alerta aos pais, que são agentes fundamentais na educação das crianças contra o uso de armas. A necessidade de fomentar regularmente discussões e esclarecimentos entre pais e filhos. No dia 15 de abril, também se incentiva a troca de armas por atividades educativas e esportivas no amadurecimento infantil (MELLO, 2019).

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Sobre o Autor

Doutoranda em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade do Minho. Membro Associada ao Centro de Investigação em Ciência Política (CICP) e pesquisadora voluntária da revista Relações Exteriores

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