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A CHINA ENQUANTO DESTINO DO TURISMO SEGURO

A subida da China como uma das maiores potências económicas do mundo não acontece só por conta das suas variadas fábricas, da sua capacidade do ponto de vista da tecnologia avançada ou da capacidade industrial. Existe também um outro elemento, muitas vezes pouco discutido, mas que tem um peso estratégico muito forte, o qual cinge-se exatamente no nível de segurança pública e a estabilidade social que o país consegue manter. Esta questão nos dias actuais, tornou-se uma vantagem importante para a construção de uma imagem prestigiosa da China no cenário internacional, principalmente no sector do turismo.

É verdade que por muitos anos, muitos países ocidentais, tentaram investir em narrativas que influenciassem a comunidade internacional a consumir a ideia de que a China era um destino difícil para estrangeiros, devido ao excesso de controlo e pouco acolhedor. Mas, quando se olha para a experiência real de quem de facto visita o país, percebe-se logo que se trata de uma realidade completamente diferente do que é vendida pelas narrativas ocidentais. Actualmente, cidades chinesas como Pequim, Xangai, Shenzhen e Hangzhou são vistas por muitos turistas como alguns dos centros urbanos mais seguros do mundo.

Essa sensação de segurança não surge apenas da opinião das pessoas que visitam a geografia chinesa. Há um conjunto de indicadores internacionais que mostram níveis baixos de criminalidade urbana, principalmente em relação aos assaltos, furtos e violência nas ruas. Para quem visita à China, consente a ideia de que em muitas cidades chinesas é normal encontrar pessoas, tanto nacionais quanto turistas, a circular à noite ou em horários tenebrosos sem grande senso de preocupação, sem usar transportes públicos ou até mesmo deixar um celular e alguma pasta nalgum restaurante ou espaços comuns, enquanto se ausentam por um instante. Em muitas capitais ocidentais, esse tipo de comportamento hoje já seria considerado um grande risco, uma vez que, a segurança pública para muitos turísticas ainda é um desafio devido elevados níveis de aversão aos migrantes.

Há um conjunto de factores que podem justificar essa realidade factual na China. O primeiro tem a ver com a forte capacidade do Estado chinês de controlar e monitorizar o espaço urbano. É indiscutível o facto de que a China investiu intensamente nos sistemas de vigilância, câmaras de segurança combinadas com inteligência artificial e reconhecimento facial. É verdade que isso levanta alguns debates sobre a questão da privacidade e liberdade individual. Mas, olhando apenas para a questão da segurança pública e da experiência do turista, o impacto acaba por ser visível, ou seja, existe uma resposta rápida das autoridades e índices relativamente baixos de criminalidade nas ruas. E isto é um ponto central que os turistas demandam sempre que visitam uma determinada geografia. A segurança, é um elemento chave para determinar a mobilidade de pessoas de outros países para outros destinos, e, países que apresentam poucas garantias de segurança, são os que também beneficiam pouco da actividade turísticas.

Outro ponto importante está ligado à própria cultura social chinesa. É extremamente observável em muitas cidades chinesas, a presença de um forte sentido de disciplina colectiva e respeito pelas normas públicas. Nota-se isso no comportamento das pessoas a nível dos transportes, nas filas, nas ruas e nos serviços públicos. Esse ambiente mais organizado reduz muitos problemas comuns em zonas turísticas, como vandalismo, pequenos roubos e violência urbana.

Também não se pode ignorar o enorme investimento feito em matéria de infra-estruturas. A China leve-nos a refletir que a segurança no turismo não depende apenas da políciaa, mas, igualmente de estradas organizadas, da boa iluminação nos espaços públicos, dos transportes eficientes, da tecnologia e serviços urbanos funcionais. A China percebeu isso muito cedo. E hoje o país, possui uma das redes ferroviárias de alta velocidade mais modernas do mundo, aeroportos altamente tecnológicos e cidades bastante conectadas por elementos digitais, o que transmite ao visitante uma sensação maior de organização e confiança.

Existe ainda uma dimensão geopolítica importante em tudo isto. Enquanto muitos países enfrentam aumento da criminalidade, elevados índices de tensão social, crises migratórias e episódios frequentes de violência urbana, a China procura projectar para o exterior uma imagem de estabilidade. E, no turismo internacional, a estabilidade significa confiança. E a confiança atrai finanças, investimentos e visitantes.

Hoje, o turista moderno já não procura apenas paisagens bonitas ou património cultural. Procura também destinos de tranquilidade, com forte sentido de organização e segurança. E neste quesito, a China conseguiu de facto transformar a segurança pública num instrumento importante de soft power. Muitos turistas que visitam o país regressam com uma visão bastante diferente daquela que normalmente é apresentada em vários discursos políticos internacionais.

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Juvenal Pelo Quicassa é um especialista em Relações Internacionais, acadêmico e pesquisador angolano, com uma sólida trajetória acadêmica e profissional. Formado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais, aprofundou seus estudos com um Mestrado em Relações Internacionais pela Universidad Europea del Atlántico (Espanha) e complementou sua qualificação com pós-graduações em Gestão Urbana e Serviços Públicos e Agregação Pedagógica para o Ensino Superior​.

Actualmente, é docente universitário no Instituto Superior Politécnico Internacional de Angola (I.S.I.A.), onde leciona disciplinas como Geografia Política, Direitos Humanos e Integração Econômica Regional. Antes disso, actuou no Instituto Superior Politécnico de Kangonjo (I.S.K.A.), ministrando matérias voltadas à análise da política externa e integração regional​.

Além da docência, Quicassa tem experiência no sector administrativo, tendo trabalhado como Assistente de Direção na Trans Investiment Comércio Serviços e como Assistente Administrativo na Mucare Tec, onde desempenhou funções organizacionais e estratégicas. Sua actuação profissional também se estende à pesquisa acadêmica, sendo membro do Centro de Estudos e Pesquisas da UNIPIAGET (Benguela)​

Como pesquisador, publicou diversos artigos científicos e análises sobre política externa, segurança internacional e integração regional, com destaque para temas como a política externa angolana, militarização do Estado e operações de paz das Nações Unidas. Além disso, é autor do livro "Sistema de Paz da União Africana face aos Conflitos em África: Desafios e Perspectivas para a Promoção da Paz e Segurança no Continente", consolidando sua contribuição para os estudos da paz e segurança no continente africano​

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