As Bruxas da Noite – Ritanna Armeni (2019) – resenha

Fonte: Camila Benzaquen
As Bruxas da Noite – Ritanna Armeni (2019) – resenha 1

O livro As Bruxas da Noite: A História não Contada do Regimento Aéreo Feminino Russo Durante a Segunda Guerra Mundial foi escrito pela jornalista italiana Ritanna Armeni, com contribuições de sua amiga Eleonora Mancini. Antes de entrarmos no conteúdo do livro, falarei sobre quem eram as Bruxas da Noite.

Como nós sabemos, só passou a ser normal as mulheres exercerem profissões consideradas exclusivas para homens depois de muito tempo, e mesmo assim ainda hoje não é totalmente igualitário Na época da Segunda Guerra Mundial, o exército era exclusivo para homens, mesmo em situações extremas, como a guerra. Na Rússia, país no qual as Bruxas da Noite nasceram e morreram, a situação não era diferente. Apesar de todos os estudantes de Moscou terem feitos treinamento de uso de armas, terem frequentado cursos para enfermeiros, e terem feitos outras coisas para preparar o país para a guerra, eram os homens que iam para a linha de frente, enquanto as mulheres deveriam cuidar dos feridos, fazer reparações, et al.

Contudo, algumas mulheres não se conformavam com isso, e queriam lutar pela sua pátria na linha de frente durante a Grande Guerra Patriótica, modo como os russos e outras ex-repúblicas soviéticas chamam a 2.º Grande Guerra. Um momento inédito aconteceu, a situação era tão grave, que o Exército Vermelho buscou voluntárias para irem à linha de frente. Irina, suas amigas, e outras mulheres de Moscou prontamente se candidataram. Porém, por ser algo inédito, não havia nada preparado para as mulheres na guerra. Ou seja, as particularidades das mulheres não foram consideradas, como tamanho das roupas, e elas passaram muitas dificuldades na guerra. Apesar de todas as contrariedades, elas foram importantíssimas para o desenrolar da guerra.

Agora, o mais curioso sobre elas é o nome, o porquê de essas mulheres serem chamadas de Bruxas da Noite. Apesar de terem sido humilhadas e tratadas com desdém, elas fizeram um trabalho excepcional. Com aeronaves antiquadas, elas tiveram que se adaptar, e conseguiram. As Bruxas da Noite Sobrevoavam os alvos em silêncio e sem serem vistas; lançavam as bombas nos nazistas e sumiam sem deixar rastros. Os seguidores de Hitler as chamavam de Bruxas da Noite por isso, pois elas apareciam e sumiam do nada, e sempre à noite.

Bruxas da Noite em suas roupas militares reunidas em um campo recebendo instruções
Bruxas da noite recebendo instruções sobre seus próximos passos | Fonte: Evgueni Khaldei / TASS.

A busca de Ritanna pelas Bruxas da Noite

Com a última frase acima, falarei sobre a busca de Ritanna Armeni pelas informações sobre essas bravas guerreiras. Que mulher não gostaria de ouvir falar sobre como as mulheres foram fundamentais na guerra!? Assim como na ciência e em outras áreas, nossa importância e participação foi esquecida ou até mesmo negada. Quantos de vocês sabiam da existência das Bruxas da Noite?! Eu mesma descobri recentemente através de um post no Instagram. Por que não falamos sobre elas na escola ou na faculdade?!

Tudo isso explica o porquê de Armeni ter tido tanta dificuldade em achar informações e a encontrar uma Bruxa da Noite para conversar sobre o papel desse grupo na Segunda Guerra. Muitas já haviam morrido ou não queriam falar sobre o assunto, pois após a guerra, elas foram forçadas a não falar sobre o assunto, a esquecer tudo o que elas viveram. Felizmente, Ritanna e Eleonora conseguiram falar com Irina Rakobolskya, a bruxa da noite que fora vice comandante do regimento 588 e chefe da equipe. 

Vários encontros entre Irina, Ritanna e Eleonora ocorreram; reuniões estas que renderam inúmeras fitas gravadas, incontáveis anotações e uma volta ao passado para Irina, que na época das entrevista já tinha 96 anos. Irina relata as italianas as aventuras e apuros pelas quais o regimento 588 passou. Muitas integrantes do grupo morreram enquanto defendiam sua pátria. Contudo, o que elas fizeram não foi o suficiente para evitar que elas caíssem no esquecimento. Irina relata que, infelizmente, depois da guerra, as mulheres “já não eram mais necessárias no exército”. Dessa forma, as que queriam seguir a área militar não puderam fica no exército. Elas foram desligadas, e “tudo voltou ao seu devido lugar”, com os homens no exército e as mulheres cuidando da casa e gerando filhos. Muitas que lutaram na Grande Guerra Patriótica esconderam essa parte da sua vida, umas por medo de não conseguirem um marido, e outras até por vergonha.

Recomendo este livro para quem gostaria de conhecer mais a guerra pelo lado da mulher, e não pelo lado do homem. Indico também para quem busca saber sobre a atuação durante a Segunda Guerra Mundial.

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Sobre o Autor

Analista de Relações Internacionais. Editora assistente da revista Relações Exteriores. Pós-graduanda em Comunicação e Jornalismo Digital. Pesquisadora voluntária de Segurança Internacional na revista Relações Exteriores.

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