Criação do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR) – 11 de dezembro de 1963

Imagem: United Nations Institute for Training and Research (2017) | Design: Marianna Oliveira via Canva Pro
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Introdução

Fundada em 11 de dezembro de 1963, a UNITAR, sigla referente ao Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa, é a principal fonte de formação relativa ao sistema das Nações Unidas. Este instituto opera no setor da educação a um nível global e seu trabalho está organizado em seis grandes áreas programáticas, nomeadamente a capacidade para a Agenda 2030, o fortalecimento do multilateralismo, a promoção do desenvolvimento econômico e inclusão social, a promoção da sustentabilidade ambiental e desenvolvimento verde, a promoção da paz sustentável e a melhoria da resiliência e da assistência humanitária globais (UN, 2016).

A Resolução da Assembleia Geral 1934 (XVIII) de 11 de dezembro de 1963 coincidiu com uma onda de descolonização em África e com a entrada de novos países africanos nas Nações Unidas. Estes novos Estados independentes beneficiaram dos programas de formação oferecidos pela UNITAR, já que necessitavam agora de desenvolver a sua capacidade diplomática dentro da própria Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, o instituto não deixou de operar até hoje e beneficiou dos novos meios digitais para expandir o seu treinamento a um nível verdadeiramente global.

Atualmente, a UNITAR se destaca por fornecer soluções de aprendizagem de elevada qualidade, por aconselhar e apoiar governos com serviços de conhecimento, inclusive de base tecnológica, por facilitar a partilha de conhecimento e expertise através de processos em rede e por integrar estratégias, abordagens e metodologias inovadoras na partilha de conhecimento e em produtos e serviços relacionados (UN, 2018).

O que é a UNITAR?

O Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa, ou UNITAR, tem como principal função fornecer soluções de aprendizagem destinadas a indivíduos, organizações e instituições, com o intuito de melhorar a tomada de decisões a um nível global e suportar ações que permitam tornar o futuro melhor. Este instituto foi criado em 1963 e na sua visão pretende equipar os agentes e tomadores de decisão em termos de conhecimentos, competências e habilidades para lidar com desafios à escala global.

A UNITAR tem inclusive a capacidade de aconselhar e apoiar governos, as próprias Nações Unidas e outros parceiros com serviços informativos, que podem ser de teor tecnológico. Ao longo do ano, a UNITAR oferece ainda uma série de cursos gratuitos destinados ao público em geral, nas áreas da ecologia humana, alterações climáticas, direitos humanos, conflitos globais, género e saúde pública. Já a sua sede é localizada na cidade suíça de Geneva, e existem dois escritórios externos situados em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e em Hiroshima, no Japão. Ademais, o instituto é financiado por contribuições voluntárias de governos, organizações internacionais e intergovernamentais, a academia, fundações e organizações do setor privado (UN, 2016).

História da UNITAR 

A UNITAR foi fundada a 11 de dezembro de 1963, através da Resolução da Assembleia Geral 1934 (XVIII). A criação da UNITAR coincidiu com a entrada de 36 novos Estados na ONU no início da década de 60, 28 deles Estados africanos que entraram no contexto da vaga de descolonização neste período. O papel do instituto foi inicialmente adaptado às necessidades e prioridades destes países, focando as suas formações na área diplomática e no funcionamento das Nações Unidas.

A UNITAR e o G-77, ou Grupo dos 77, surgem quase na mesma altura. O G-77 foi estabelecido em 15 de junho de 1964, ou seja, no ano seguinte à criação da UNITAR, e é composto por 77 membros fundadores que assinaram a Declaração Conjunta dos Setenta e Sete Países em Desenvolvimento, em inglês, “Joint Declaration of the Seventy-Seven Developing Countries.” Esta é a maior organização intergovernamental de países em desenvolvimento na ONU e permite uma maior articulação entre os seus membros com o intuito de promover interesses coletivos, além de conceder aos países um maior poder de negociação no contexto da ONU. Atualmente, o G-77 é composto por 134 países, entre os quais o Brasil.

Em 2015, o programa já tinha mais de 40.000 beneficiários, estando 78% dos mesmos localizados em países em desenvolvimento, além de cerca de 500 formações e atividades relacionadas por ano (UN, 2016). Em setembro do mesmo ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um plano de ação focado na promoção da paz, do bem-estar e representação de todas as pessoas, no crescimento econômico sustentável e inclusivo, na conservação, restauração e proteção do planeta e na promoção do conhecimento e expertise entre países (UN, 2018).

Papel da UNITAR nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

A UNITAR também trabalha em vista a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) dentro do prazo pré-definido do ano de 2030. A Agenda para o Desenvolvimento Sustentável foi adotada em 2015 por todos os Estados membros da Organização das Nações Unidas, e tem como principal meta atingir “paz e prosperidade para as pessoas e para o planeta, agora e no futuro” (UN, 2021). Esse mecanismo propõe 17 objetivos que se dividem em áreas de ação para que, tanto Estados quanto indivíduos, possam buscar práticas, condutas e soluções para os problemas globais mais urgentes. Entre as principais metas para a década de 2020-2030 estão o combate à pobreza, empoderamento feminino e especial atenção à emergência climática (UN, 2021).

Nesse sentido, a UNITAR vai além de um guia para educar pessoas e formar lideranças locais. Através da promoção de ações afirmativas e educativas, privilegia atuações nas áreas de empoderamento de líderes locais e globais, além de um crescimento econômico que seja mais abrangente, a fim de promover uma sociedade mais justa e inclusiva, que possa assim cultivar a paz. O instituto também busca uma representação equitativa entre os países no processo decisório global, contando com a diplomacia e diálogos efetivos na busca de soluções para os problemas em comum (UNITAR, 2021).

A UNITAR também atua em prol da conservação e restauração do meio ambiente, visando contribuir tanto para melhorar a qualidade de vida de nossa geração, quanto de gerações futuras, e estimulando pesquisas e desenvolvimento tecnológico, buscando soluções mais efetivas e de fácil aplicação. Além de ser um grande aliado na prevenção de desastres ambientais, os avanços na tecnologia, em especial na utilização de satélites, também vêm contribuindo para o enfrentamento de emergências humanitárias, a fim de diminuir as fatalidades e tomar ações mais rápidas e efetivas (UNITAR, 2021).

Entre suas ações nas mais diversas áreas de desenvolvimento, a UNITAR se comunica com os ODS da Agenda 2030, e atua como uma ferramenta a fim de auxiliar no alcance das metas, dentro do prazo definido (UNITAR, 2021).

Impacto global do Instituto 

Para além de uma ideia de auxílio na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, o papel da UNITAR pode também ser demonstrado através de números. Em relatório divulgado pelo próprio instituto, os números do ano de 2020 em vários aspectos superaram as metas esperadas para o período: mais de 322.410 pessoas participaram dos 896 eventos oferecidos pela UNITAR ou um de seus parceiros, e desse número, mais da metade (51%) eram mulheres, mobilizando um orçamento de mais de 30 milhões de dólares (UNITAR, 2021).

Além disso, a UNITAR se faz presente em áreas de conflito, em que mesmo o acesso à educação e ao tratamento igualitário entre homens e mulheres não são respeitados. Atualmente, mesmo após a ofensiva talibã no Afeganistão que culminou com a queda de Cabul, a UNITAR continua a atuar no país com programas destinados à educação das mulheres.

No Brasil, a UNITAR possui um pólo representado pelo Centro Internacional de Formação de Autoridades de Líderes (CIFAL Curitiba), atuando desde 2003 no desenvolvimento de programas e cooperação técnica. O CIFAL promove parcerias junto a representantes de governos municipais e estaduais, setor privado, universidades, ONGs e agentes de comunidades a fim de contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a partir do desenvolvimento local. 

Conclusão

A UNITAR foi até hoje capaz de formar e capacitar representantes de governos e membros da sociedade civil em áreas críticas para o funcionamento das Nações Unidas e para uma melhor governança nacional e local. O instituto foi capaz de se atualizar e adaptar aos grandes desafios do Séc. XXI, que passam pela compreensão das alterações climáticas, da economia verde e do desenvolvimento sustentável, assim como pela igualdade de gênero e o combate à pobreza. Desta maneira, ao seu propósito inicial dos anos 60 de servir países em desenvolvimento com capacitações e formações de teor diplomático foram acrescentados os pilares de promoção da paz e da prosperidade, de desenvolvimento humano, de proteção do planeta e de expansão do conhecimento e expertise entre países.

Referências

UNITED NATIONS. UNITAR at a Glance. 2016. Disponível em: <https://www.unitar.org/sites/default/files/uploads/unitar-factsheet2016.pdf> Acesso em outubro de 2021.

UNITED NATIONS. Strategic Framework 2018-2021. 2018. Disponível em: <https://unitar.org/sites/default/files/media/publication/doc/unitar_strategicframework_web-new.pdf> Acesso em outubro de 2021.UNITED NATIONS. The Sustainable Development Agenda. 2021. Disponível em: <https://www.un.org/sustainabledevelopment/development-agenda/>. Acesso em outubro de 2021.

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