Início da Guerra do yom kippur – 06 de outubro de 1973

Ed Mason/Flickr via Canva Pro
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Guerra de Yom Kippur

Na tarde do dia 6 de outubro de 1973, os judeus que estavam no Estado de Israel, foram atacados pelas forças militares do Egito e da Síria, quando estavam celebrando o feriado nacional do Yom Kippur ou Dia do Perdão. Este confronto que ceifou a vida de judeus e palestinos, durou em média três semanas, e foi motivado por fatores que antecedem a essa data, como iremos analisar para entender o que foi essa guerra e quais as consequências que ela trouxe para o mundo.

Contextualização Histórica

Com o fim da Grande Guerra (1914-1918 e 1939-1945), iniciou-se o período da Guerra Fria e os movimentos para o processo de descolonização da África e da Ásia, assim, como a criação da Organização das Nações Unidas – ONU – (1945). Após o sofrimento causado pela política antissemita propagada pelo governo da Alemanha Nazista, tramitou no conselho da ONU a criação de um Estado judaico, assim como também estava na pauta a criação de um Estado árabe. Sendo assim, no dia 29 de novembro de 1947, a Assembleia das Nações Unidas aprovou a partilha da Palestina criando dois novos Estados, ficando a cidade de Jerusalém sob a tutela da autoridade internacional, não pertencendo a nenhum dos dois povos.

Nesse mesmo ano o Brasil enviou o diplomata Oswaldo Aranha, para representar o país no que tange o debate em torno da Partilha da Palestina. No tocante, foram um total de “33 países, inclusive o Brasil, que votaram a favor da partilha da Palestina em dois territórios: um para os judeus, com 53% do total, outro para os árabes, com 47%”. A baixo, segue o mapa contendo as informações referentes as linhas fronteiriças que dividiam os dois povos, que historicamente vivem em conflitos por questões territoriais e religiosos até nos dias atuais.

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Mapa do Plano de Partilha da Palestina em novembro de 1967. Disponível em: Plano da ONU para a partilha da Palestina de 1947 – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

Após a partilha, judeus e palestinos passaram a disputar os territórios recém-criados, se envolvendo em diversos conflitos bélicos, que no fim, beneficiaram mais aos interesses do Estado de Israel. Este passou a ter uma ofensiva maior, ampliou suas fronteiras com uma política de anexação territorial, incorporando áreas que antes pertencia a Jordânia, a Síria e ao Egito. 

Destarte, à medida que Israel ampliava sua possessão territorial, os países que se sentiam ameaçados com essa política, buscaram se unir, com o objetivo de retomar suas antigas possessões. No ano de 1967, eclodiu outra guerra envolvendo os judeus e árabes, sendo denominada de a Guerra dos Seis Dias. Esse conflito recebeu esse nome, porque foram preciso apenas de seis dias para que o Exército israelita derrotasse os seus inimigos e passasse a ocupar as colinas de Golã, o monte Sinai e parte do território da Cisjordânia. O Conselho de Segurança da ONU, buscou intermediar, criando a Resolução 242, que tinha por princípio “determinar a retirada de Israel dos territórios ocupados na guerra e buscar soluções quanto à questão dos refugiados árabes.” O resultado foi que não houve de fato a devolução dos territórios conquistados pela Guerra dos Seis Dias e isso fomentou o ataque orquestrado no dia 6 de outubro de 1973.

A guerra e suas Repercussões

Segundo Jorge Almeida Fernandes, exatamente as 04:30 da madrugada do dia 6 de outubro de 1973, o serviço de informação israelense ligou para o secretário militar da Primeira-Ministra, Golda Meir, para alertar sobre um possível ataque militar promovido pelos estados do Egito e da Síria ao país. Sobre a posse dessa informação o governo de Israel decretou a mobilização nacional, contando também com o apoio do Ministro da Defesa. A Cidade foi bombardeada a partir das 14:00 horas pelos países árabess. Todavia, quando buscamos outras fontes que narram esse mesmo episódio, verificamos que o entendimento é de que Israel fora pego de surpresa ou que ele tenha subestimado o seu inimigo após a esmagadora vitória em 1967, chamada de Guerra dos Seis Dias. Seguindo essa linha, para a Deutsche Welle o episódio enfatizou o fato de que Israel não teria tido a informação a respeito do ataque, e que o Estado havia sido surpreendido com os ataques as 14:00 horas, do dia 6 de outubro. A mesma percepção é apresentada por Elenita Pereira que afirma que os ataques orquestrados pelos países do  Egito, e da Síria, atingiram os judeus de forma inesperada, mas que, ao longo do avançar do conflito, Israel passou a responder a altura as investidas bélicas dos países beligerantes, mas que, as forças militares egípcias conseguiram avançar 15 quilômetros das fronteiras do Estado de Israel.

Segundo a revista Kadimah, a Guerra de Yom Kippur foi o pior desastre militar de Israel, e que ela quase causou a ruína do país, que havia vencido de forma excepcional seus inimigos no conflito de 1967. Na mesma linha de pensamento segue a revista Morashá, que de forma menos enfática, descreveu o fato como sendo um ataque surpresa, que atingiu não só a população judaica, como também as forças militares e o governo de Israel.  Sendo os primeiros dias de ofensiva, considerados os piores para o país, no qual, sofreu duras baixas. Todavia, no decorrer de três semanas de confronto, o Exército israelense conseguiu virar o jogo, destruindo seus opositores no campo de combate, direcionando suas forças táticas e operacionais para a defesa das cidades do Cairo e de Damasco. O texto também ressalta que o Exército sírio e egípcio durante as primeiras 48 horas, atacaram as cidades de Golã e Sinai com intensos bombardeios simultâneos. Mas que, as tropas israelenses, conseguiu vencer esse conflito, derrotando os soldados do Egito e da Síria ao fim de três semanas.

Sobre esse momento que marcou a história do povo árabe e judaico, um canal de televisão por assinatura, produziu uma minissérie chamada de Valley of Tears. A intenção dos produtores era buscar aproximar a ficção da realidade, criando personagens icônicos para dar vida e sentimento as passagens que narram principalmente os combates travados nas colinas de Golã e Sinai, revivendo os sentimentos das pessoas que presenciaram essa tragédia, durantes os ataques. Vale ressaltar que a série traz um olhar sob a perspectiva judaica frente ao conflito, não priorizando o lado dos combatentes do Egito e da Síria.

Ao se passarem quase 50 anos – da guerra de Yom Kippur -, desentendimentos e conflitos ainda marcam a história desses dois povos que lutam por questões religiosas, territoriais e políticas. Ficando difícil até mesmo para os grandes especialistas da geopolítica, identificar um momento no qual haverá paz entre essas duas nações, que dividem  as opiniões do mundo.

Referências

PEREIRA, Elenita Malta. O ouro negro: Petróleo e suas crises políticas, econômicas, sociais e ambientais na 2º metade do século XX. Revista Outros Tempos. Volume 5, número, 6, pp. 54-72, dez de 2008, p. 57.

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