Operação Raposa do Deserto no Iraque – 16 de dezembro de 1998

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A  Operação  Raposa  do  Deserto no Iraque foi um ordenado desmonte das capacidades militares iraquianas através de investidas aéreas norte-americanas. Esta missão visava estimular um golpe de Estado que depusesse Saddam Hussein.  Para entender o que levou à essa investida dos Estados Unidos contra o país do Golfo Pérsico, é preciso entender as tensões que se desenrolaram alguns anos antes entre esses dois países.

As tensões entre o Washington e Bagdá durante a Guerra do Golfo

O Oriente Médio, região onde o Iraque se encontra, se estende do leste do Mediterrâneo até ao golfo Pérsico. Este último, que contorna a Arábia Saudita, Irã, Emirados árabes Unidos, Omã, Catar, Bahrein, Kuwait e Iraque, já foi palco de inúmeros conflitos étnicos, econômicos, geopolíticos, religiosos e fronteiriços; sendo o mais importante para esta análise a Guerra do Golfo. Este conflito, que ocorreu entre 1990 e 1991, teve como causa questões diversas, como, o petróleo, interesses estadunidenses na região, equilíbrio geopolítico regional e a postura do governo iraquiano, que invadiu o território do Kuwait.

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Golfo Pérsico | Fonte: Stevertigo

De acordo com Saddam Hussein, a Cidade do Kuwait havia roubado petróleo na divisa entre os dois países, contudo, a realidade era que o Iraque devia o Kuwait por conta de empréstimos obtidos durante a guerra contra o Irã nos anos 80 e queria ser perdoado por ela. Ademais, Hussein também “almejava aumentar o seu território, conquistar os poços de petróleo kwaitianos e ter uma saída maior para o Golfo Pérsico (ZARPELÃO, sd)”. Por conta disso, uma parte do Kuwait foi ocupada pelo exército de Saddam em agosto de 1990.

A atitude iraquiana contrariava os interesses econômicos e geopolíticos dos EUA, que queriam um equilíbrio no sistema internacional, nessa época imersa na Guerra Fria. Logo, George Bush “pai” iniciou o que ficou conhecido como “Operação Escudo do Deserto”, um bombardeio massivo no Iraque e na região do Kuwait que estava ocupada pelos iraquianos.  Um pouco depois disso, a ONU aprovou a utilização de “força militar para fazer valer o embargo ao país de Hussein (SCIULO; 2019)”.

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Em substituição à Operação Escudo do Deserto foi elaborada a Operação Tempestade no Deserto. Planejada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, esse movimento militar teve quatro fases: ataques à infraestrutura militar e logísticas, aos esquemas de comunicação e ao setor elétrico de Bagdá, com o objetivo de destruir sua capacidade militar; ataque à força aérea iraquiana que estava no solo do Kuwait; investidas contra Guarda Republicana de Hussein e o que tinha restado de armamento do Iraque; e, por último, invasão por terra no Kuwait para expulsar os invasores.

Como uma tentativa de responder aos ataques, Saddam Hussein ordenou um ataque a Israel com o objetivo de que o primeiro-ministro israelense, Yitizhak Shamir, ordenasse uma reação, para que assim os povos árabes e muçulmanos se juntasse à Hussein e fossem contra Estados Unidos e Israel. Contudo, o plano iraquiano não funcionou, pois os Estados Unidos conseguiriam convencer, diplomaticamente, que Israel não revidasse os ataques.

A guerra não foi favorável para o Iraque. O país árabe lutou praticamente sozinho contra os EUA e os 34 países da ONU que estavam sendo liderados pelos norte-americanos. Após um intenso “banho de sangue”, derramamento de petróleo, que causou um dos maiores desastres naturais do século XX, queima de poços kuwaitianos pelos iraquianos, et al., George Bush “pai” anunciou um cessar-fogo, terminando assim a Operação Tempestade no Deserto. Pouco tempo depois, as Nações Unidas formularam a Resolução 686, “que estabelecia o fim da presença militar dos países da Coalizão no território do Iraque (ZARPELÃO; sd.)”, e em março de 1991 a guerra de fato terminara, chegando ao fim a primeira guerra total entre os EUA e um país árabe.

O Iraque, sua capacidade militar e a Operação Raposa do Deserto

A partir de estudos acerca da Guerra do Golfo, é possível perceber que o Iraque é um país com uma grande capacidade bélica, o que é preocupante para os países do Ocidente. De acordo com a publicação da Forbes de 2018, o Iraque tem o segundo maior orçamento militar do Oriente Médio, ficando para trás apenas da Arábia Saudita. Em 1998, por conta dessa preocupação com a capacidade bélica e pela possível interrupção do Iraque para com os inspetores de armas da ONU, os Estados Unidos e o Reino Unido fizeram um bombardeio, do dia 16 até 19 de dezembro, para que assim a capacidade iraquiana de fabricar e utilizar armas de destruição em massa fosse enfraquecida.

Essa operação, que ficou conhecida como Operação Raposa do Deserto, foi a maior investida militar contra o Iraque desde a Guerra do Golfo.

Referências bibliográficas:

ZARPELÃO, Sandro Heleno Morais. A GUERRA DO GOLFO (1991): UMA ANÁLISE DAS OPERAÇÕES ESCUDO E TEMPESTADE DO DESERTO. Disponível em: http://eeh2012.anpuh-rs.org.br/resources/download/1279805095_ARQUIVO_TextoAGuerradoGolfo(1991)-umaAnalisedasOperacoesEscudoeTempestadedoDeserto.doc. Acesso: 06 de dezembro de 2020.

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Sobre o Autor

Analista de Relações Internacionais. Editora assistente da Revista Relações Exteriores. Pós-graduanda em Comunicação e Jornalismo Digital. Pesquisadora do NEFRI.

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